UMA VIAGEM PELA IMAGEM: DO LÓGOS À FORMAÇÃO ICONOFOTOLÓGICA
Quando se diz que o futuro chegou com o século XXI, talvez possamos ter uma sensação semelhante àquela por que passou o homem do final do século XIX em relação ao conceito de modernidade e a noção de velocidade. Em poucos anos, aquelas pessoas saíram da carruagem para vislumbrar as locomotivas e, praticamente, o primeiro voo do avião: as distâncias se encurtaram e o mundo tornou-se cada vez menor. Algo parecido ocorreu em relação à reprodutibilidade da imagem, cuja fixação, por meio da técnica[3] fotográfica, começa a prescindir do pintor, levando-nos a uma revolução no campo das artes pictóricas no século XX, com os movimentos de vanguarda.
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DA ICONOLOGIA À ICONOFOTOLOGIA: UMA MUDANÇA PARADIGMÁTICA
Na passagem do medievo para a modernidade, verificou-se, em uma das muitas alterações cognitivas por que o ser humano passou, o deslocamento de sua percepção sensorial que, de auditiva e táctil, se converte em visual.
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No entanto, se a difusão imagética era inexpressiva até o final do medievo, tornar-se-á significativa com o advento da modernidade, encerrando o predomínio da verdade auditiva. Seus reflexos fazem-se sentir ainda hoje: desconfiamos daquilo que ouvimos, afinal “uma imagem vale por mil palavras”. Alguns fatores foram preponderantes para que a virtù visiva ocupasse o centro da percepção humana bem como a disseminação e a valorização imagética como: a) o perspectivismo de Alberti e a visão unilocular; b) o aprofundamento da alegorização da sociedade: buscava-se aliar as sentenças dos auctoritas – compiladas durante a Idade Média – a imagens, as quais buscavam não só descrevê-las, mas também interpretá-las; c) a inclusão dos pintores nas artes liberais (ars liberae); d) a imprensa de Gutemberg; e) a Reforma protestante com sua iconoclastia e o consequente avanço imagético católico, que se tornará seu antípoda.
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