Prof. Dr. Jack Brandão
 
 
Ortografia
 
 

Alfabeto

 

O alfabeto volta a ter 26 letras, já que foram reintroduzidas as letras k, w e y, passando a ser:

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

Na verdade, essas letras não tinham desaparecido dos dicionários de nossa língua, já que continuavam sendo empregadas em várias situações. Por exemplo:

a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt);

 b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, windsurf, kung fu, William, kaiser, Kafka.

 

Trema

O trema é eliminado da Língua Portuguesa. Assim as seguintes palavras passam a ter ( Þ ) nova grafia:

 

agüenta            >                aguentar

bilíngüe             >                bilíngue

cinqüenta         >                cinquenta

delinqüente      >                delinquente

lingüiça             >                linguiça

 

ATENÇÃO!

O trema permanecerá nas palavras estrangeiras e em suas derivadas: Müller, mülleriano, hübneriano

                

Acentuação

a) Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas:

 

alcalóide                       >            alcaloide

alcatéia                         >            alcateia

apóia (verbo apoiar)     >            apoia

apóio (verbo apoiar)     >            apoio

bóia                             >            boia

Coréia                          >            Coreia

heróico                         >            heroico

idéia                             >             ideia

 

ATENÇÃO!

Como essa regra somente é válida para palavras paroxítonas, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em -éis, -éu, -éus, -ói, -óis:

 

Ex.: papéis, herói, heróis, troféu, troféus

 

b) Não se usa mais o acento no -i e -u tônicos das palavras paroxítonas, quando vierem depois de um ditongo.

 

baiúca              >         baiuca

bocaiúva          >         bocaiuva

feiúra                >         feiura

 

ATENÇÃO!

Se a palavra for oxítona e o -i ou o -u estiverem em posição final (ou seguidos de -s), o acento permanece:


Ex.: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

               

c) Não se usa mais o acento das palavras terminadas em -ee:

crêem (verbo crer)          >             creem

dêem (verbo dar)            >              deem

lêem (verbo ler)               >              leem

                               

d) Não se usa mais o acento das palavras terminadas em -oo:

 

perdôo (verbo perdoar)   >            perdoo

povôo (verbo povoar)      >            povoo

vôos                                   >            voos

zôo                                     >            zoo

magôo (verbo magoar)   >            magoo 

e) Não se usa mais o acento diferencial para as palavras paroxítonas homógrafas:

 

pára/para; péla(s)/ pela(s); pêlo(s)/pelo(s); pólo(s)/polo(s); pêra/pera.

 

Ex.: Ele pára a carruagem.             >        Ele para a carruagem.

        Não suporto comer pêra.        >        Não suporto comer pera.

 

ATENÇÃO!

 

1. O acento diferencial permanece em pôde (pretérito perfeito do indicativo do verbo poder) para diferenciá-lo de pode (presente do indicativo do verbo poder)

 

Ex.: Ontem, ela não pôde ir ao Congresso de Linguística, no entanto hoje pode.

 

2. O acento diferencial permanece em pôr (verbo) para diferenciá-lo de por (preposição)

 

Ex.: Vou pôr seu nome no livro de contribuintes.

 

3. O acento diferencial indicador de plural permanece nos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).

 

Ex.:  Ele tem informações valiosas para o país. / Eles têm informações valiosas para o país.

         Ele vem de Campinas pela manhã. / Eles vêm de Campinas pela manhã.

         Ele mantém a palavra dada. / Eles mantêm a palavra dada.

 

 

4. É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Evidentemente, em alguns casos, seu emprego deixa a frase mais clara.

 

Ex.: Qual é a forma da fôrma do bolo de que você precisa?

 

                 

5. Não se usa mais o acento agudo no u tônico nas formas formas verbais rizotônicas (acento na raiz), quando precedido de g ou q e seguido de -e ou -i (grupos que/qui e gue/gui).

 

argúis                >       argui

ele apazigúe     >       apazigue

enxagúe            >       enxague  

 

Hífen

 

a) Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.

 

Ex.:Ex.: anti-higiênico, anti-histórico, proto-história, super-homem.

             

EXCEÇÃO: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h).

 

b) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.

 

Ex.:

aero-espacial                >       aeroespacial

auto-aprendizagem       >       autoaprendizagem

auto-escola                   >       autoescola

auto-estrada                 >       autoestrada

extra-escolar                 >        extraescolar

infra-estrutura               >       infraestrutura

neo-expressionismo       >       neoexpressionismo

semi-aberto                   >       semiaberto

ultra-elevado                 >       ultraelevado

 

               

EXCEÇÃO: o prefixo co- aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o.

 

Ex.:

coobrigar, coordenar, cooperar, cooptar, coocupante etc.

 

c) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos:

 

Ex.:

anteprojeto, antipedagógico, autopeça, autoproteção, coprodução, geopolítica, microcomputador,

semicírculo, semideus, seminovo, ultramoderno.

 

ATENÇÃO!

 

Usa-se sempre o hífen com o prefixo vice.

 

Ex.: vice-rei, vice-presidente, vice-governador.

 

d) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras.

 

Ex.:

ante-sala                 >       antessala

anti-social                >      antissocial

anti-rugas                >       antirrugas

contra-senso           >       contrassenso

contra-regra            >       contraregra

extra-seco               >       extrasseco

semi-sintético          >       semissintético

ultra-romântico        >       ultrarromântico

 

 

e) Quando o prefixo termina por vogal e o segundo elemento começar pela mesma vogal, emprega-se o hífen:

 

Ex.:

antiibérico                >      anti-ibérico

antiinflamatório        >      anti-inflamatório

microondas              >      micro-ondas

microônibus             >      micro-ônibus

 

 

f) Quando o prefixo termina por consoante e o segundo elemento começar pela mesma consoante, emprega-se o hífen:

 

Ex.: inter-racial, inter-regional, sub-bibliotecário, super-racista, super-resistente, super-romântico.

               

ATENÇÃO!

 

1. Nos demais casos não se usa o hífen.

 

Ex.: supermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.

          

2. Com o prefixo sub, emprega-se o hífen também diante de palavra iniciada por r:

 

Ex.: sub-ão, sub-raça etc.

             

3. Com os prefixos circum- e pan-, emprega-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal.

 

Ex.: circum-gação, pan-americano etc.

 

g) Quando o prefixo terminar por consoante, não se emprega o hífen se o segundo elemento começar por vogal.

 

Ex.: hiperativo, interescolar, interestadual, interestelar, superaquecimento, supereconômico,

superinteressante, superotimismo

 

h) Com os prefixos ex-, sem-, além-, aquém-, recém-, pós-, pré-, pró-, emprega-se sempre o hífen.

 

Ex.: além-mar, além-túmulo, ex-aluno, ex-diretor, ex-prefeito, ex-presidente, pós-graduação,

pré-história, pré-vestibular, recém-casado, recém-nascido, sem-terra

 

               

i) Deve-se empregar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: -açu, -guaçu e -mirim.

 

Ex.: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

 

j) Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que, combinadas ocasionalmente, não formam vocábulos propriamente ditos, mas encadeamentos vocabulares.

 

Ex.:  ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

 

k) Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição.

 

Ex.: girassol, madressilva, pontapé.

 

Dessa forma, palavras como:

 

manda-chuva               >          mandachuva

pára-quedas                >           paraquedas

pára-brisa                    >           parabrisa

pára-choque                >           parachoque

 

não serão mais empregadas com hífen!

               

ATENÇÃO!

 

O uso do hífen permanece nas palavras compostas que não contêm um elemento de ligação e constituem uma unidade sintagmática e semântica, da mesma forma os vocábulos que designam espécies botânicas e zoológicas:

 

Ex.:  luz, couve-flor, bem-te-vi, segunda-feira, médico cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva etc.

 

LEMBRETES

 

1. Não se emprega o hífen nas locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais).

 

Ex.: de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, ele próprio, à vontade, acerca de, a fim de que etc.

 

EXCEÇÃO: as locuções já consagradas pelo uso: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, à queima-roupa.

 

2.  Na transliteração, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte.

 

               Ex.:  Na cidade, conta-

                                                   -se que ele foi viajar.

                                                   O diretor recebeu os ex-

                                                   -alunos.

 

 

 










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