ETIMOLOGIA
Há dois usos que se fazem da
palavra etimologia:
A etimologia científica
é o estudo histórico que investiga a origem das
palavras. Ela mostra, tipicamente, que há
continuidade entre a forma e o sentido que as
palavras têm hoje, e a forma e o sentido que elas
apresentavam em fases mais antigas da língua. Por
exemplo, a etimologia estabeleceu em bases
científicas que a palavra portuguesa decidir
se originou da palavra latina decidere, que
significava "cortar". Do ponto de vista da forma, as
principais mudanças dizem respeito à posição do
acento (decídere > decidír) e ao timbre da vogal que
identifica a conjugação (decidere > decidir). A
mudança de sentido explica-se pelo fato de que, em
certo momento, a tomada de decisão foi representada
como um corte: quem toma uma decisão, corta uma
parte, abre mão de alguma coisa.
A etimologia popular é
uma prática não científica, por meio da qual as
pessoas modificam as palavras de modo a fazer
aparecer elementos que expliquem a sua significação.
Assim, alguém que diga gosméticos em vez de
cosméticos pode estar tentando interpretar esta
palavra como "produtos à base de... gosma".
Uma definição etimológica é
aquela que apresenta o sentido originário de uma
palavra; são exemplos de definição etimológica,
entre muitos outros:
Decidir é cortar
Definir é cercar delimitar
Agonia é luta
Virtude é macheza
O léxico da língua portuguesa
falada no Brasil compreende palavras de várias
origens, incorporadas em épocas diferentes. A parte
mais "antiga" é formada de palavras de origem:
Latina, como casa, dono,
Cláudio, Priscila;
Grega, como palavra,
meteorologia, Alexandre, Felipe;
Germânica, como guarda,
sabão, Rodrigo, Bernardo;
Árabe, como álgebra,
alfinete, algodão, Jamil;
Indígena, como minhoca,
botija, Ubirajara, Jurandir;
Africana, como mandinga,
acarajé, Janaína;
Além dessas origens "mais
antigas", o português recebeu palavras das inúmeras
línguas com as quais os portugueses entraram em
contato, durante as grandes navegações, bem como das
línguas européias e asiáticas dos imigrantes que
vieram ao Brasil a partir das últimas décadas do
século XIX. Em todos os tempos inúmeros
"empréstimos" passaram ao português, com inovações
técnicas, científicas ou dos costumes.
Quando se fala da origem das
palavras do português, sempre é bom lembra também
que as palavras previamente existentes na língua são
o material mais importante e mais usado para
criações de novas formas.
Muitos verbos que dizem
respeito às atividades abstratas originam-se de
palavras que indicavam uma ação meramente física.
Assim, pensar vem de pensare (pesar,
pôr os pesos na balança) achar vem de
affare (farejar – o cão que fareja a pista de um
animal, acaba por encontrá-lo) etc. Esse
procedimento ainda funciona hoje para a criação de
novos sentidos, como exemplo, Governo congela
preços de medicamentos.
DEFINIÇÕES
Uma definição é um pequeno
texto em que se formula o significado de uma
palavra. Em geral, ao definir uma palavra,
identificamos a classe maior à qual pertencem os
objetos que ela nomeia e, em seguida, apontamos as
propriedades que distinguem esses objetos no
interior dessa classe maior, como nestes exemplos:
(1) Monarquia é (2) uma forma
de governo (3) em que o poder supremo é exercido por
uma só pessoa.
(1) Triângulo é (2) um polígono
(3) de três lados.
(1) palavra que se quer
definir
(2) expressão que delimita uma classe maior
(3) expressão que recorta
uma subclasse, dentro da classe maior
Os verbos que mais aparecem nas
definições são: ser, significar, consistir,
constituir, etc.
As razões para definir podem
ser várias:
Aumentar o vocabulário -
diante de palavras desconhecidas, pode ser
interessante definir para melhor compreensão do que
foi dito.
Eliminar ambigüidades -
quando uma palavra é ambígua em um contexto, isto é,
quando não está claro em qual de seus sentidos está
sendo usada, convém definir:
(1) para evitar que se tirem
conclusões falsas;
(2) para evitar discussões
meramente verbais.
Tomar exatos os limites de
aplicação de palavras conhecidas, mas vagas -
Por exemplo: "Neste texto, entenderemos por montanha
toda elevação do terreno com mais de 500 metros
acima do nível do mar". "Neste contrato,'produto'
significa o inseticida PHD, objeto da presente
transação comercial"
O que uma boa definição não
deve ser:
Uma mera enumeração de
exemplos: " Arranha-céus são, por exemplo, os
edifícios tal e tal" (se, por acaso, os dois
edifícios ficam na rua principal da cidade, alguém
poderia entender que todo prédio da rua principal da
cidade é um arranha-céu).
Circular: "azul é a cor
do que é azul" ou "Confiança é a qualidade de quem
confia".
Obscura - uma definição
é obscura quando usa termos mais difíceis do que a
palavra que pretende definir, possivelmente
desconhecidos da pessoa a quem se destina etc.
"Quimioterapia é uma forma de tratamento oncológico
[...]" (possivelmente as pessoas que não sabem o que
é quimioterapia, sabem menos ainda o que significa
"oncológico").
Demasiado ampla:
"Sapato é uma coisa que se põe nos pés" (as meias
também cobrem os pés). "Ônibus é um veículo
motorizado que transporta passageiros" (essa
definição serve também para táxi etc.)
Demasiado estreita:
"Bonde é o veículo que circula no Parque Taquaral,
em Campinas" (no mundo, existem outros bondes, além
do que circula aos domingos na Lagoa do Taquaral em
Campinas)
Figurada: "A arquitetura
é música congelada", "Uma árvore é um cabide de
folhas", "Um pente é um caçador de piolhos"
Negativa quando pode ser
positiva: "Um divã não é uma cama nem uma
cadeira" (a avó do presidente do Senado também não é
uma cama nem uma cadeira).
O que é o que é?
As adivinhas são às vezes um
jogo em que se dá a definição de uma palavra,
pedindo que as pessoas envolvidas na brincadeira
descubram a própria palavra. Aqui vão algumas
adivinhas bastante conhecidas, procure responder.
a) Tem dente mas não come, tem
barba mas não é homem.
b) Redondinho, redondão, abre e
fecha sem cordão.
c) Corre no mato, pára na
terra.
d) Quando entra em casa, fica
com a cabeça de fora.
e) Cai de pé e corre deitado.
f) Tem asa, mas não é ave, tem
bico, mas não é pássaro.
g) Eu fui feito com pancada, só
sirvo se for bem torto. Vou procurar quem está vivo,
espetadinho num morto.
h) Sob a terra ela nasceu, sem
a camisa a deixaram; todos aqueles que a feriram, a
chorar logo ficaram.
Há definições jocosas do tipo:
a) Assadeira de frango é
televisão de cachorro;
b) Pente é caçador de piolhos.
São comuns na imprensa
manifestações de profissionais liberais transmitindo
aos leitores informações sob questões técnicas de
interesse social. O texto a seguir, de autoria de um
advogado, elabora uma distinção relevante para
definir as responsabilidades de uma certa categoria
social, em caso de insucesso:
(...) os processos judiciais
contra médicos são complexos em razão da dificuldade
de aferição da culpa pelo dano sofrido. A
responsabilidade civil dos médicos em ações de
indenização é, em geral, de meios e não de
resultado. A obrigação de meios ocorre quando um
profissional assume prestar um serviço ao qual
dedicará toda a sua atenção, cuidado e conhecimento
através das regras consagradas pela prática médica,
sem se comprometer com a obtenção de um certo
resultado. A obrigação do resultado é aquela em que
o profissional se compromete a realizar um certo
fim, a alcançar um determinado resultado. As
exceções consagradas pela jurisprudência são a
cirurgia estética embelezadora e a anestesia, atos
médicos tidos como obrigações de resultado. Desde
que o ordenamento jurídico brasileiro, a doutrina e
a jurisprudência consagraram a necessidade da prova
de culpa para aquele que pretenda uma indenização
por ato ilícito de outrem, a prova desta mesma
culpa, no caso dos médicos, tendo obrigação geral de
meios, reside na comprovação de que o profissional
agiu com falta de cuidado ou deixou de aplicar a
prática dos recursos usuais da ciência médica
aplicáveis ao caso concreto (Rafael Maines,
"Responsabilidades". Diário Catarinense, 25.8.2001.)
a) Diga, sucintamente, qual é a
distinção apresentada no texto, e como ela afeta a
categoria profissional em questão.
b) Imagine que você mandou
consertar um equipamento qualquer, mas o conserto
não foi bem-sucedido. Formule uma breve reclamação,
partindo do princípio de que a firma responsável
pelo conserto tinha obrigação de meios, não de
resultados.
c) Nos dicionários, as palavras
aparecem em geral associadas a vários sentidos. Para
consagrar, o dicionário Houaiss anota, entre
outros, os seguintes: "1. Investir( -se) de caráter
ou funções sagradas, dedicando( -se), por meio de um
rito, a uma ou mais de uma divindade; sagrar. 2.
Entre os católicos e em certas seitas protestantes,
operar a transubstanciação pelo rito da Eucaristia.
3. Oferecer(-se) a Deus, a um santo etc. por meio de
voto ou promessa [...] 4. Aclamar, eleger,
promover,elevar. 5. Reconhecer como legítimo:
acolher, sancionar. 6. jurar pela hóstia
consagrada".
Supondo que você tenha dúvidas
sobre o sentido de "consagradas" ("Exceções
consagradas") e "consagraram" ("a doutrina e a
jurisprudência consagraram"), em qual das definições
se apoiaria para aproximar-se da acepção que essas
palavras têm no texto?
SINONÍMIA
Os sinônimos são palavras de
sentido próximo, que se prestam, ocasionalmente,
para descrever as mesmas coisas e as mesmas
situações. Mas é sabido que não existem sinônimos
perfeitos: assim, a escolha entre dois sinônimos
acaba dependendo de vários fatores a serem
explorados.
A escolha entre dois ou mais
sinônimos obedece a vários fatores:
A fidelidade às
características regionais da fala: sentinela é a
palavra usada em Minas Gerais para indicar a prática
que, em São Paulo (e em muitas outras regiões do
Brasil) se denomina velório. Conforme a região, não
é possível usar livremente uma palavra pela outra,
sem correr o risco de não ser compreendido;
A preocupação de ressaltar
diferenças de sentido, que podem assumir grande
importância num discurso mais técnico: para as
pessoas comuns, furto e roubo são exatamente a mesma
coisa; para a lei, há uma diferença: no roubo a
vítima sempre sofre algum tipo de violência;
A preocupação de ressaltar
diferenças entre os objetos de que se fala: as
palavras mandioca, aipim e macaxeira são às vezes
lembradas como os nomes para uma mesma raiz, da qual
grande parte da população brasileira tira sua
alimentação. Mas isso é apenas parte da história. Em
muitas regiões, dois desses termos são usados para
distinguir plantas que são cultivadas e preparadas
de maneiras diferentes.
O grau de formalismo da fala:
uma atividade desagradável pode ser qualificada de
chata, aborrecida ou mofina, mas é pouco provável
que a primeira dessas expressões apareça num
discurso de posse de um ministro (situação de fala
altamente formal), e é pouco provável que a última
expressão apareça num diálogo de adolescentes
(situação de fala informal).
A preocupação em destacar,
no objeto descrito, certos aspectos de forma ou
função: um mesmo prédio pode ser descrito, em
momentos diferentes, como uma casa, a sede de um
clube, o local de um crime etc.
Leia o poema e observe que, nos
significados abaixo, foram transcritos apenas os
sinônimos adequados para cada palavra, de acordo com
o texto.
A morte do jangadeiro
Ao sopro do terral,
abrindo a vela,
Na esteira azul das águas
arrastada,
Segue veloz a intrépida
jangada,
Entre os uivos do mar que se
encapela.
Prudente, o jangadeiro se
acastela
Contra os mil incidentes da
jornada;
Fazem-Ihe, entanto, guerra
encarniçada,
O vento, a chuva, os raios, a
procela.
Súbito, um raio o prostra
e, furioso,
Da jangada o despeja n'água
escura;
E em brancos véus de espuma o
desditoso
Envolve e traga a onda
intumescida,
Dando-lhe, assim, mortalha e
sepultura
O mesmo mar que o pão lhe dera
em vida.
Padre Antônio Tomás.
Príncipe dos poetas cearenses. Fortaleza,
Tipografia Paulina, 1950.
terral - terrestre, vento que
sopra da terra para o mar
intrépida - destemida, corajosa
(se) encapela - (se) agita,
(se) encrespa
(se) acastela - (se) previne
encarniçada - raivosa,
violenta, irada
procela - tempestade marítima
prostra - abate
desditoso - infeliz,
desventurado
traga - engole, faz desaparecer
intumescida - inchada,
avolumada, crescida
Assim, no dicionário, aparecem
vários significados de cada palavra. E necessário
escolher apenas aqueles que sejam mais apropriados
ao contexto em que a palavra se insere. Abaixo,
compare alguns verbetes do dicionário com os
significados da página anterior e veja que só foram
copiados os sinônimos apropriados ao texto.
Encapelar, v.t. Levantar
ondas; encrespar (o mar); agitar.
Acastelar, v.t.
Fortificar com castelo; construir como castelo;
fortificar; p. fortificar-se; prevenir-se;
precaver-se, encastelar-se.
Prostrar, v.t. Lançar
por terra; humilhar; abater; enfraquecer; debilitar;
lançar-se de bruço no chão; humilhar-se.
Tragar, v.t.
Devorar; beber; engolir de um trago; engolir com
avidez e sem mastigar; agüentar; tolerar; fazer
desaparecer; engolir a fumaça do tabaco.
ANTONÍMIA
Informalmente, as pessoas
costumam chamar de antônimas quaisquer palavras ou
expressões que podem ser colocadas em oposição:
nascer vs. morrer, ir vs. vir, grande vs. pequeno
etc. Os antônimos costumam ser comparados aos pares
e entre dois antônimos que formam par há sempre uma
propriedade em comum. Assim, grande e pequeno
indicam tamanho; ir e vir indicam deslocamento;
nascer e morrer são os dois extremos do mesmo
processo de viver etc.
Os antônimos formam pares que
se referem a realidades "opostas":
Ações: perdi o lápis,
mas em compensação achei uma nota de 10 reais.
Qualidades: a sopa
estava quente, mas o café estava frio.
Relações: o gato estava
embaixo da mesa; a gaiola do canário estava sobre a
mesa.
A "oposição" existente entre
dois antônimos pode ter fundamentos diferentes:
diferentes posições numa
mesma escala. Ex. quente e frio representam duas
posições na escala da temperatura.
início e fim de um mesmo
processo: florescer e murchar.
diferentes papéis numa mesma
ação: bater e apanhar.
Encontramos antônimos entre:
substantivos: bondade
versus maldade
adjetivos: duro versus mole
verbos: dar versus
receber
advérbios: lá versus cá
preposições: sobre
versus sob
etc.
Costuma-se pensar na antonímia
como uma relação de oposição que diz respeito às
palavras, no sistema da língua. Mas os textos podem
construir oposições entre palavras e expressões que,
normalmente, não consideraríamos como antônimas.
O quereres
Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres
dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só
desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem
alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha
liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco, e onde queres
romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres
eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não
vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres
cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres
ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o
anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres
tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido
eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos
dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e
rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o
amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não
queres como és
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres
romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura,
o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um
canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres
coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é
de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal
ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem
ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do
que não há em mim
Caetano Veloso
ARCAÍSMOS
Chamamos de arcaísmos as
expressões que, tendo já sido de uso corrente na
língua, caíram em desuso; quando usadas, refletem um
estado de língua mais antigo. Os arcaísmos são pouco
comuns na fala corrente; aparecem mais
freqüentemente na literatura, em especial naqueles
gêneros em que as obras do passado continuam
servindo de referência à produção dos autores
contemporâneos e em autores que fazem do arcaísmo um
recurso de estilo.
É possível encontrar arcaísmos
em todos os domínios da língua: vocabulário,
morfologia, sintaxe... Constituem arcaísmo:
No léxico, o uso de
certas palavras, por exemplo, coita por angústia,
mil-réis ou contos de réis por reais etc.
Na morfologia: formas
"antigas", com o artigo definido el: el rei e certos
particípios passados que sobrevivem apenas em frases
feitas (ex. teúda e manteúda).
Na sintaxe: a anteposição do
pronome átono à palavra que o "atrai", como na
fórmula "Esta São Paulo onde eu me criei",
recorrente nos discursos de campanha do então
candidato a governador Jânio Quadros.
Com freqüência, o arcaísmo
consiste em usar uma palavra com um sentido que ela
já teve, mas que hoje não é corrente: se alguém
usar, hoje em dia, a palavra formidável com o
sentido de "assustador", estará falando como os
escritores do século XVI.
Com freqüência "as falas mais
tipicamente regionais continuam usando formas e
expressões que, do ponto de vista da língua
brasileira comum seriam arcaicas. As razões por que
as palavras e construções se tornam arcaicas são
várias:
- Os objetos, técnicas e
hábitos correspondentes caíram em desuso;
- A palavra perdeu a ligação
com outras que tinham origem comum.
A língua sofreu um processo de
"regularização" que fez desaparecer formas
parcialmente diferenciadas. Em uma fase muito antiga
da língua portuguesa, o feminino de senhor era
senhor (isso mesmo: os trovadores medievais
qualificavam sua amada de "fremosa mia senhor") e os
adjetivos terminados em -ês formavam o
feminino em -ês (isso mesmo: uma princesa
leonês) - essas formas modificaram-se mais tarde
para receber a terminação -a, que hoje é a
terminação generalizada dos femininos: formosa
senhora, princesa leonesa.
Exemplos de arcaísmos:
Ortográficos –
Francez
(francês), gráo (grau), hymno (hino).
Morfológicos –
Cidadoa
(feminino com desinência em -oa,
em vez de -ã – Cidadã),
pagado (em vez de “pago”), recebel-o (pronome oblíquo “o”
em vez de “lo” nas flexões verbais –
Recebê-lo).
Vocabulares
– Avença (“Concórdia”. O
antônimo “desavença” permanece em
uso), cáspite! (puxa!
caramba!), leixar (deixar).
Sintáticos
– Começar cantar (começar a cantar), todos homens (todos
os homens), Joaquim vindo de São Paulo para Barretos...
(em vez de “Vindo Joaquim de
São Paulo para Barretos”...).
Semânticos
– catar (“olhar”. Sentido
atual mais comum: “pegar”, “escolher
um a um”), Formidável
(“amedrontador”. O sentido atual é
“excelente”, “magnífico”).
Algumas formas arcaicas
ainda resistem em falares regionais. No Brasil,
observam-se, especialmente no Nordeste, pronúncias
como fruita (fruta), malinar (verbo
formado a partir de malino, atual “maligno”),
vĩo (vinho), testemunhas vivas de usos
lingüísticos de séculos atrás.
Muitas são as palavras que,
mesmo registradas no Aurélio, apresentam na
linguagem popular uma
significação diferente:
|
|
Aurélio |
popular |
|
biboca |
cova,
casebre |
batente |
|
bruaca |
bolsa |
boca muito
grande |
|
cabroeira |
coletivo de
cabras |
multidão |
|
cubar
|
avaliar ou
medir |
observar
disfarçadamente |
|
copiar |
Alpendre |
sala de
visitas |
|
magote |
grande
quantidade |
grupo de
desocupados |
|
tipóia |
mulher
ordinária |
rede velha
ou pequena |
Veja como foi escrito,
originalmente, este famoso soneto de Olavo Bilac (
Via Láctea XIII).
XIII
Ora (direis) ouvir
estrellas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no emtanto,
Que, para ouvil-as, muita vez desperto
E abro as janellas, pallido de espanto...
E conversamos toda a noite, emquanto
A via-láctea, como um pallio aberto,
Scintilla. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céo deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com ellas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão comtigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendel-as!
Pois só quem ama póde ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrellas.
É um fenômeno
linguístico que consiste na criação
de uma
palavra ou
expressão nova, ou na atribuição de
novo
sentido a uma antiga; pode ser um
comportamento espontâneo próprio do ser humano ou
meramente artificial para fins
pejorativos.
O neologismo está muito presente,
atualmente, nas discussões e/ou assuntos ligados ao
campo da
Internet; é possível observá-lo com
muita frequência em salas de
bate-papo (chat), no
orkut (redes sociais) ou mesmo nos
e-mails pessoais. Alguns exemplos
conhecidos: rs ou lol (risada), vc
(você), blz (beleza), dd tc (de onde
teclas?), fx (fixe), etc.
Os neologismos muitas vezes
constroem-se com auxílio dos
mecanismos usuais de produção
lexical, como a
composição (justaposição,
aglutinação,
prefixação) e a
derivação, geralmente por
sufixação, como os exemplos
brasileiros "petismo" (de PT) e
"pefelista" (de PFL), ou os exemplos portugueses
"Cavaquista" (de Cavaco) ou "Soarista"
(de Soares).
Um exemplo prático, muito usado
no
Brasil, é o caso do termo
"refri" onde se faz uso de um neologismo, uma
vez que esta palavra é uma criação relativamente
recente. Outro exemplo pode ser Renatear:
agir da mesma forma que Renata. Dizer o que ela
diria em determinada situação.
No decorrer da história,
a Língua Portuguesa vem sofrendo constantes
modificações. Ela é dinâmica e, portanto, renova-se
constantemente. Essas transformações consistem não
só na alteração fonética das palavras, mas também na
introdução ou criação de novas frases e vocábulos,
ou ainda na reintegração de palavras arcaicas do
idioma que, na sua grande maioria, possuem novas
significações. Os neologismos podem ser criações da
própria língua, ou incorporações de termos
estrangeiros ao idioma. Segundo a Gramática
Normativa da Língua Portuguesa, de Francisco da
Silva Bueno, o neologismo (que significa: palavra
nova) pode ser classificado em várias espécies:
I - Neologismo literário
Os escritores criam palavras novas
ou dão novos significados às palavras já existentes,
no entanto, esse artifício é usado somente para fins
puramente literários, artísticos ou estilísticos.
Exemplos:
ð
Necrotério – criação de
Taunay, grande romancista brasileiro. Necrotério
(gr. Nelcros + terion). Construção onde se depositam
os cadáveres; local onde os cadáveres são expostos
para identificação; lugar onde jazem os cadáveres
que vão ser autopsiados. Esta palavra foi criada
para substituir o francesismo morge.
ð
Vesperal (espetáculo) - S.M.
Neologismo feito por Cláudio de Sousa para
substituir Matinee.
ð
Convescote – S.M. Bras.
Piquenique; criação de Castro Lopes, assim como,
cardápio (menu).
ð
Vocabulário de Guimarães
Rosa:
Nhô: Senhor
Capiau: homem
caipira
Sarilho: ação
de mover um pau ou arma rapidamente
em volta para afastar os
circunstantes.
Adro: área de
terreno em frente da fachada de
igrejas católicas, onde antigamente
se tinha o costume de enterrar
cadáveres.
Siá: Senhora
Unhaca:
unha-de-fome
Pachorrenta:
falta de pressa; devagar.
Biboca: buraco
produzido por enxurrada; cova.
Alarido:
gritaria de pessoas que brigam,
lamentam, choram.
II - Neologismos
científicos ou técnicos
Todas as nomenclaturas das ciências novas: os nomes
das máquinas, aparelhos, invenções, a linguagem da
Química, da Eletrodinâmica, da Telegrafia, da
Radiotelegrafia, da Aviação. Exemplos:
ð
Aeromoça
– tripulante que nos aviões serve as refeições aos
passageiros e lhes presta outros serviços.
ð
Táxi
(forma reduzida de taxímetro) - automóvel de aluguel
ou qualquer veículo de frete; registro de preço a
pagar, em função do tempo em que é alugado o
veículo.
ð
Microfone
- S.M. (gr. Mikros + phone). Aparelho de
intensificação do som, inventado por Hughes:
aparelho eletrostático de ondas sonoras que
transforma as ondas de pressão em força
eletromagnética.
ð
Telefone
– S.M. [gr. Tele (longe) + phone (som, voz)].
Aparelho que permite a transmissão de voz através de
fios e disposições elétricas.
Nota: há neologismos
científicos ou técnicos que são formados a partir de
siglas: CPF, CPI, ONG, CD; um caso muito conhecido é
o do neologismo LASER (Light Amplification by
Stimulated Emission of Radiation) ou também a sigla
AIDS (Acquired Immune Deficiency Syndrome) e DST
(Doença Sexualmente Transmissível).
III - Neologismo popular
Em sua necessidade de expressão, o povo cria novos
termos ou dá novos significados a termos já
conhecidos. Exemplos:
ð
Gato -
S.M. Ligação clandestina de eletricidade. Ex. No
morro da Rocinha, a maior favela da América Latina,
a maioria dos barracos tem a sua energia elétrica
sustentada por gatos.
ð
Prensadão
- S.M. O substantivo cachorro quente, nome
relacionado ao sanduíche de pão com salsichas,
quando prensado em uma chapa quente recebe o nome de
prensado. Numa pesquisa de campo constatou-se que,
quando o suposto cachorro quente prensado possui
medidas maiores que as do padrão, recebe o nome de
prensadão. Ex. Eu quero um prensadão completo!
ð
Laranja –
S.M. Falso proprietário. Ex. Pedro serviu de laranja
para o estelionato.
ð
Embuchar
- V.T. significa engravidar. Ex. Joaquina “ta
embuchada” de três meses.
ð
Mané –
S.M. Indivíduo inepto, indolente, desleixado,
negligente, palerma. Também se diz mané-coco, manema
e manembro. Ex. Não dá bola pra esse mané!
ð
Papudo -
Adj. Fanfarrão, gabola, garganta. Ex. Você é muito
papudo!
IV - Neologismo completo
Este nome refere-se ao neologismo que é criação
quanto à forma e criação quanto ao sentido.
Exemplos:
=> Necrotério - relaciona-se somente ao lugar onde
se expõem os cadáveres que vão ser autopsiados ou
identificados.
=> Microfone -
relaciona-se somente ao dispositivo que, no posto
transmissor, capta o som que vai ser levado aos
receptores através de ondas hertzianas.
V - Neologismo
incompleto
Assim denominam-se os vocábulos já existentes na
língua que tomaram novas significações. Exemplos:
=> Formidável - Adj. Este vocábulo já teve o sentido
de temível, terrível, que inspira grande temor,
perigoso. Hoje é usado basicamente com o sentido de
maravilhoso, acima do comum, admirável, excelente.
=> Papudo - Adj. Aquele que tem papo grande. Atualmente aplicado ao individuo fanfarrão, gabola.
=> Picareta – S.F. Instrumento de ferro com duas
pontas que serve para escavar a terra e arrancar
pedras. Hoje este termo vem sendo mais aplicado ao
individuo de má índole, insinuante, tratante.
VI - Neologismo estrangeiro
São palavras que adotamos de outras línguas por nos
faltarem vernáculas; a tendência mais comum é a de
escrevê-las de maneira aportuguesada. Exemplos:
=> Futebol - S.M. Do inglês foot-ball
=> Abajur-S. M. É o
francês abat-jour.
=> Bebê – S.M. Criancinha
vem do francês bébé. Antigamente foi o nome de um
anão da corte de Estanislau Leczynski. Pode ter sido
também originada de palavra inglesa baby.
=> Carpete – S.M. Do
inglês carpet; tapete que reveste inteiramente um
cômodo, em geral afixado ou colado ao chão.
=> Bracelete – S.M.
pulseira. Fr. Bracelet
=> Buquê – S.M. ramo de
flores. Fr. Bouquet.
=> Skate – S.M. Prancha
com rodinhas, se escreve exatamente como no
original.
=> Bicicleta – S.F.
velocípede de duas rodas. Fr. Bicyclette
=> Bife – S.M. Posta de
carne de vaca, do inglês beef.
=> Bidê – S.M. criado
mudo. Fr. Bidet
=> Xérox – (cherocs).Do
inglês xerox. Nome registrado, arte gráfica,
fotocópia.
=> Shopping - reunião de
lojas comerciais, serviços de utilidade pública,
casas de espetáculo, etc., em um só conjunto
arquitetônico.
=> Show – espetáculo de
teatro, radio, televisão, etc. geralmente de grande
montagem, que se destina à diversão.
Causas do neologismo
A principal causa é a necessidade de expressão: Com
o surgimento de novas invenções, novos objetos,
novos conceitos, enfim, novas idéias; faz-se
necessário o aparecimento de novos nomes que se
adaptem ao significado daquilo que os representa. Se
não há nenhum vocábulo que possa ser adaptado, é
imprescindível criar-se um, uma nova palavra, algo
especial.
Outro fator é a inclinação do espírito humano para
especificar, classificar, catalogar, ou mesmo
positivar as diferenças existentes entre os seres,
dando a cada uma delas o devido nome, algo que
corresponda a essa necessidade de clareza e de
especificação. Exemplos: Papudo, mane, picareta.
Para que o neologismo vença e se radique na língua
basta uma só condição: ser necessário a uma precisão
do espírito humano. Mas se tal necessidade não
existe, poderá manter-se por meses, desaparecendo,
certamente, apesar de todos os esforços dos autores.
Nota: para que o neologismo radique na língua é
necessário que haja necessidade no emprego do termo
a uma expressão, tais termos não foram aceitos, pois
não correspondiam a uma necessidade e expressão.
Outra causa é a rapidez da expressão: em lugar de
expressão bastante longa - “apresentar felicitações”
- diz-se logo - “felicitar” - e aparece assim o
neologismo.
Os neologismos científicos e literários são feitos
do grego e do latim, muitas vezes combinados com o
idioma pátrio: televisão (tele= grego; visão=
português), gasogênio (gás= germânico; gênio=
grego), glossofone (ambos gregos). Quando o
neologismo é formado de elementos pertencentes a uma
mesma língua, diz-se que está bem feito; quando os
elementos são de idiomas diferentes, diz-se que é
híbrido. Hibridismo é, pois, a formação de um
vocábulo com elementos de diversas línguas:
gasogênio, televisão, mandão-mirim. Os neologismos
populares são todos adaptações de termos já
existentes na língua e, portanto, de origem
vernácula.
Conclusão
É comum que, com o tempo e o uso, determinados
termos ou expressões neológicas se enraízem ou não
na língua. Portanto, não se deve impedi-los de
transitar livremente, pois, contribuem para o
enriquecimento e evolução do idioma e, conforme a
necessidade ou não, naturalmente tais termos terão
parte efetiva no uso comum do vernáculo. Conforme as
palavras de Francisco da Silveira Bueno: “o uso é o
senhor da língua”.
Neologismo
Manuel Bandeira
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.
ESTRANGEIRISMOS
Ao longo de sua história (que
começa pouco antes do movimento do trovadorismo,
fortemente influenciado pela poesia provençal), a
língua portuguesa sofreu a influência das numerosas
línguas com que esteve em contato. Essa influência
se fez sentir pela incorporação de palavras e
construções que representam, em geral, um
enriquecimento.
Nenhuma língua escapa de sofrer
influências externas; no patrimônio lexical mais
antigo da língua portuguesa já se encontram palavras
criadas em outras línguas, em particular o
provençal, o espanhol e o árabe. Outras línguas que
exerceram influência sobre o português do Brasil são
o francês, o italiano e o alemão, além, é claro, das
línguas africanas e das línguas indígenas
brasileiras. A língua que exerce hoje a mais forte
influência sobre o português do Brasil é o inglês.
As formas derivadas de línguas
estrangeiras são reconhecidas por algum tempo como
tais. Paulatinamente, as formas estrangeiras adotam
pronúncia e grafia mais "vernáculas", e começam a
dar origem a novas palavras e expressões com feições
também vernáculas. Nesse ponto do processo, já é
quase impossível distingui-las das formas que foram
criadas dentro da própria língua.
De tempos em tempos, a
incorporação de palavras estrangeiras foi vista como
um problema por gramáticos, escritores e políticos:
os mesmos argumentos foram então usados (de maneira
pouco convincente, e, afinal, sem resultados
práticos) para provar que as palavras estrangeiras
"corrompem" a língua portuguesa e constituem um
vício de linguagem - o barbarismo - que deve ser
combatido a todo preço.
PROJETO DE LEI N°1676, DE
1999 (Do Sr. ALDO REBELO)
Dispõe sobre a
promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua
portuguesa e dá outras providências.
O Congresso Nacional
decreta:
Art. 1º Nos termos do
caput do art. 13, e com base no caput, I,
§ 1° e § 4° do art. 216 da Constituição Federal, a
língua portuguesa:
I- é o idioma oficial da
República Federativa do Brasil;
II- é forma de expressão
oral e escrita do povo brasileiro, tanto no padrão
culto como nos moldes populares;
III- constitui bem de
natureza imaterial integrante do patrimônio cultural
brasileiro.
Parágrafo único.
Considerando o disposto no caput, I, II e III
deste artigo, a língua portuguesa é um dos elementos
da integração nacional brasileira, concorrendo,
juntamente com outros fatores, para a definição da
soberania do Brasil como nação.
Art. 2º Ao Poder
Público, com a colaboração da comunidade, no intuito
de promover, proteger e defender a língua
portuguesa, incumbe:
I- melhorar as condições
de ensino e de aprendizagem da língua portuguesa em
todos os graus, níveis e modalidades da educação
nacional;
II- incentivar o estudo
e a pesquisa sobre os modos normativos e populares
de expressão oral e escrita do povo brasileiro;
III- realizar campanhas
e certames educativos sobre o uso da língua
portuguesa, destinados a estudantes, professores e
cidadãos em geral;
IV- incentivar a difusão
do idioma português, dentro e fora do País;
V- fomentar a
participação do Brasil na Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa;
VI- atualizar, com base
em parecer da Academia Brasileira de Letras, as
normas do Formulário Ortográfico, com vistas ao
aportuguesamento e à inclusão de vocábulos de origem
estrangeira no Vocabulário Ortográfico da Língua
Portuguesa
§ 1º Os meios de
comunicação de massa e as instituições de ensino
deverão, na forma desta lei, participar ativamente
da realização prática dos objetivos listados nos
incisos anteriores.
§ 2º À Academia
Brasileira de Letras incumbe, por tradição, o papel
de guardiã dos elementos constitutivos da língua
portuguesa usada no Brasil.
Art. 3º É obrigatório o
uso da língua portuguesa por brasileiros natos e
naturalizados, e pelos estrangeiros residentes no
País há mais de 1 (um) ano, nos seguintes domínios
socioculturais:
I- no ensino e na
aprendizagem;
II- no trabalho;
III- nas relações
jurídicas;
IV- na expressão oral,
escrita, audiovisual e eletrônica oficial;
V- na expressão oral,
escrita, audiovisual e eletrônica em eventos
públicos nacionais;
VI- nos meios de
comunicação de massa;
VII- na produção e no
consumo de bens, produtos e serviços;
VIII- na publicidade de
bens, produtos e serviços.
§ 1º A disposição do
caput, I- VIII deste artigo não se aplica:
I- a situações que
decorram da livre manifestação do pensamento e da
livre expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação, nos termos dos incisos
IV e IX do art. 5º da Constituição Federal;
II- a situações que
decorram de força legal ou de interesse nacional;
III- a comunicações e
informações destinadas a estrangeiros, no Brasil ou
no exterior;
IV- a membros das
comunidades indígenas nacionais;
V- ao ensino e à
aprendizagem das línguas estrangeiras;
VI- a palavras e
expressões em língua estrangeira consagradas pelo
uso, registradas no Vocabulário Ortográfico da
Língua Portuguesa;
VII- a palavras e
expressões em língua estrangeira que decorram de
razão social, marca ou patente legalmente
constituída.
§ 2º A regulamentação
desta lei cuidará das situações que possam demandar:
I- tradução, simultânea
ou não, para a língua portuguesa;
II- uso concorrente, em
igualdade de condições, da língua portuguesa com a
língua ou línguas estrangeiras.
Art. 4º Todo e qualquer
uso de palavra ou expressão em língua estrangeira,
ressalvados os casos excepcionados nesta lei e na
sua regulamentação, será considerado lesivo ao
patrimônio cultural brasileiro, punível na forma da
lei.
Parágrafo único. Para
efeito do que dispõe o caput deste artigo,
considerar-se-á:
I- prática abusiva, se a
palavra ou expressão em língua estrangeira tiver
equivalente em língua portuguesa;
II- prática enganosa, se
a palavra ou expressão em língua estrangeira puder
induzir qualquer pessoa, física ou jurídica, a erro
ou ilusão de qualquer espécie;
III- prática danosa ao
patrimônio cultural, se a palavra ou expressão em
língua estrangeira puder, de algum modo,
descaracterizar qualquer elemento da cultura
brasileira.
Art. 5º Toda e qualquer
palavra ou expressão em língua estrangeira posta em
uso no território nacional ou em repartição
brasileira no exterior a partir da data da
publicação desta lei, ressalvados os casos
excepcionados nesta lei e na sua regulamentação,
terá que ser substituída por palavra ou expressão
equivalente em língua portuguesa no prazo de 90
(noventa) dias a contar da data de registro da
ocorrência.
Parágrafo único. Para
efeito do que dispõe o caput deste artigo, na
inexistência de palavra ou expressão equivalente em
língua portuguesa, admitir-se-á o aportuguesamento
da palavra ou expressão em língua estrangeira ou o
neologismo próprio que venha a ser criado.
Art. 6º. A
regulamentação desta lei tratará das sanções
administrativas a serem aplicadas àquele, pessoa
física ou jurídica, pública ou privada, que
descumprir qualquer disposição desta lei.
Art. 7º A regulamentação
desta lei tratará das sanções premiais a serem
aplicadas àquele, pessoa física ou jurídica, pública
ou privada, que se dispuser, espontaneamente, a
alterar o uso já estabelecido de palavra ou
expressão em língua estrangeira por palavra ou
expressão equivalente em língua portuguesa.
Art. 8º À Academia
Brasileira de Letras, com a colaboração dos Poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário, de órgãos que
cumprem funções essenciais à justiça e de
instituições de ensino, pesquisa e extensão
universitária, incumbe realizar estudos que visem a
subsidiar a regulamentação desta lei.
Art. 9º O Poder
Executivo regulamentará esta lei no prazo máximo de
1 (um) ano a contar da data de sua publicação.
Art. 10. Esta lei entra
em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICATIVA
A História nos ensina que uma
das formas de dominação de um povo sobre outro se dá
pela imposição da língua. Por quê? Porque é o modo
mais eficiente, apesar de geralmente lento, para
impor toda uma cultura - seus valores, tradições,
costumes, inclusive o modelo socioeconômico e o
regime político.
Foi assim no antigo oriente, no
mundo greco-romano e na época dos grandes
descobrimentos. E hoje, com a marcha acelerada da
globalização, o fenômeno parece se repetir, claro
que de modo não violento; ao contrário, dá-se de
maneira insinuante, mas que não deixa de ser
impertinente e insidiosa, o que o torna preocupante,
sobretudo quando se manifesta de forma abusiva,
muitas vezes enganosa, e até mesmo lesiva à língua
como patrimônio cultural.
De fato, estamos a assistir a
uma verdadeira descaracterização da língua
portuguesa, tal a invasão indiscriminada e
desnecessária de estrangeirismos - como "holding",
"recall", "franchise", "coffee-break",
"self-service" - e de aportuguesamentos de gosto
duvidoso, em geral despropositados - como "startar",
"printar", "bidar", "atachar", "database". E isso
vem ocorrendo com voracidade e rapidez tão
espantosas que não é exagero supor que estamos na
iminência de comprometer, quem sabe até truncar, a
comunicação oral e escrita com o nosso homem simples
do campo, não afeito às palavras e expressões
importadas, em geral do inglês norte-americano, que
dominam o nosso cotidiano, sobretudo a produção, o
consumo e a publicidade de bens, produtos e
serviços, para não falar das palavras e expressões
estrangeiras que nos chegam pela informática, pelos
meios de comunicação de massa e pelos modismos em
geral.
Ora, um dos elementos mais
marcantes da nossa identidade nacional reside
justamente no fato de termos um imenso território
com uma só língua, esta plenamente compreensível por
todos os brasileiros de qualquer rincão,
independentemente do nível de instrução e das
peculiaridades regionais de fala e escrita. Esse -
um autêntico milagre brasileiro - está hoje
seriamente ameaçado.
Que obrigação tem um cidadão
brasileiro de entender, por exemplo, que uma
mercadoria "on sale" significa que esteja em
liquidação? Ou que "50% off" quer dizer 50% a menos
no preço? Isso não é apenas abusivo; tende a ser
enganoso. E à medida que tais práticas se avolumam
(atualmente de uso corrente no comércio das grandes
cidades), tornam-se também danosas ao patrimônio
cultural representado pela língua.
O absurdo da tendência que está
sendo exemplificada permeia até mesmo a comunicação
oral e escrita oficial. É raro o documento que sai
impresso, por via eletrônica, com todos os sinais
gráficos da nossa língua; até mesmo numa cédula de
identidade ou num talão de cheques estamos nos
habituando com um "Jose" - sem acentuação! E o que
falar do serviço de "clipping" da Secretaria de
Comunicação Social da Câmara dos Deputados, ou da
"newsletter" da Secretaria de Estado do
Desenvolvimento Urbano da Presidência da República,
ou, ainda, das milhares de máquinas de "personal
banking" do Banco do Brasil - Banco DO BRASIL
- espalhadas por todo o País?
O mais grave é que contamos com
palavras e expressões na língua portuguesa
perfeitamente utilizáveis no lugar daquelas (na sua
quase totalidade) que nos chegam importadas, e são
incorporadas à língua falada e escrita sem nenhum
critério lingüístico, ou, pelo menos, sem o menor
espírito de crítica e de valor estético.
O nosso idioma oficial
(Constituição Federal, art. 13, caput) passa,
portanto, por uma transformação sem precedentes
históricos, pois que esta não se ajusta aos
processos universalmente aceitos, e até desejáveis,
de evolução das línguas, de que é bom exemplo um
termo que acabo de usar - caput, de origem
latina, consagrado pelo uso desde o Direito Romano.
Como explicar esse fenômeno
indesejável, ameaçador de um dos elementos mais
vitais do nosso patrimônio cultural - a língua
materna -, que vem ocorrendo com intensidade
crescente ao longo dos últimos 10 a 20 anos? Como
explicá-lo senão pela ignorância, pela falta de
senso crítico e estético, e até mesmo pela falta de
auto-estima?
Parece-me que é chegado o
momento de romper com tamanha complacência cultural,
e, assim, conscientizar a nação de que é preciso
agir em prol da língua pátria, mas sem xenofobismo
ou intolerância de nenhuma espécie. É preciso agir
com espírito de abertura e criatividade, para
enfrentar - com conhecimento, sensibilidade e
altivez - a inevitável, e claro que desejável,
interpenetração cultural que marca o nosso tempo
globalizante. Esse é o único modo de participar de
valores culturais globais sem comprometer os locais.
A propósito, MACHADO DE ASSIS,
nosso escritor maior, deixou-nos, já em 1873, a
seguinte lição: "Não há dúvida que as línguas se
aumentam e alteram com o tempo e as necessidades dos
usos e costumes. Querer que a nossa pare no século
de quinhentos, é um erro igual ao de afirmar que a
sua transplantação para a América não lhe inseriu
riquezas novas. A este respeito a influência do povo
é decisiva. Há, portanto, certos modos de dizer,
locuções novas, que de força entram no domínio do
estilo e ganham direito de cidade." (IN: CELSO
CUNHA, Língua Portuguesa e Realidade Brasileira,
Rio de Janeiro, Edições Tempo Brasileiro Ltda.,
1981, p. 25 - na ortografia original de 1968).
Os caminhos para a ação, desde
que com equilíbrio machadiano, são muitos, e estão
abertos, como apontado por EDIRUALD DE MELLO, no seu
artigo O português falado no Brasil:
problemas e possíveis soluções, publicado em
CADERNOS ASLEGIS, n° 4, 1998.
O Projeto de Lei que ora
submeto à apreciação dos meus nobres colegas na
Câmara dos Deputados representa um desses caminhos.
Trata-se de proposição com
caráter geral, a ser regulamentada no pormenor que
vier a ser considerado como necessário. Objetiva
promover, proteger e defender a língua portuguesa,
bem como definir o seu uso em certos domínios
socioculturais, a exemplo do que tão bem fez a
França com a Lei n° 75-1349, de 1975, substituída
pela Lei n° 94-665, de 1994, aprimorada e mais
abrangente.
Quer-me parecer que o PL
proposto trata com generosidade as exceções, e ainda
abre à regulamentação a possibilidade de novas
situações excepcionais. Por outro lado, introduz as
importantes noções de prática abusiva, prática
enganosa e prática danosa, no tocante à língua, que
poderão representar eficientes instrumentos na
promoção, na proteção e na defesa do idioma pátrio.
A proposta em apreço tem
cláusula de sanção administrativa, em caso de
descumprimento de qualquer uma de suas provisões,
sem prejuízo de outras penalidades cabíveis; e ainda
prevê a adoção de sanções premiais, como incentivo à
reversão espontânea para o português de palavras e
expressões estrangeiras correntemente em uso.
Nos termos do projeto de lei
ora apresentado, à Academia Brasileira de Letras
continuará cabendo o seu tradicional papel de centro
maior de cultivo da língua portuguesa do Brasil.
O momento histórico do País
parece-me muito oportuno para a atividade
legislativa por mim encetada, e que agora passa a
depender da recepção compreensiva e do apoio
decisivo da parte dos meus ilustres pares nesta
Casa.
A afirmação que acabo de fazer
deve ser justificada. Primeiramente, cumpre destacar
que a sociedade brasileira já dá sinais claros de
descontentamento com a descaracterização a que está
sendo submetida a língua portuguesa frente à invasão
silenciosa dos estrangeirismos excessivos e
desnecessários, como ilustram pronunciamentos de
lingüistas, escritores, jornalistas e políticos, e
que foram captados com humor na matéria Quero a
minha língua de volta!, de autoria do jornalista
e poeta JOSÉ ENRIQUE BARREIRO, publicada há pouco
tempo no JORNAL DO BRASIL.
Em segundo lugar, há que ser
lembrada a reação positiva dos meios de comunicação
de massa diante da situação que aqui está sendo
discutida. De fato, nunca se viu tantas colunas e
artigos em jornais e revistas, como também programas
de rádio e televisão, sobre a língua portuguesa,
especialmente sobre o seu uso no padrão culto; nesse
sentido, também é digno de nota que os manuais de
redação, e da redação, dos principais jornais do
País se sucedam em inúmeras edições, ao lado de
grande variedade de livros sobre o assunto,
particularmente a respeito de como evitar erros e
dúvidas no português contemporâneo.
Em terceiro lugar, cabe lembrar
que atualmente o jovem brasileiro está mais
interessado em se expressar corretamente em
português, tanto escrita como oralmente, como bem
demonstra a matéria de capa - A ciência de
escrever bem - da revista ÉPOCA de 14/6/99.
Por fim, mas não porque menos
importante, as comemorações dos 500 anos do
Descobrimento do Brasil se oferecem como
oportunidade ímpar para que discutamos não apenas o
período colonial, a formação da nacionalidade, o
patrimônio histórico, artístico e cultural da
sociedade brasileira, mas também, e muito
especialmente, a língua portuguesa como fator de
integração nacional, como fruto - tal qual a falamos
- da nossa diversidade étnica e do nosso pluralismo
racial, como forte expressão da inteligência
criativa e da fecundidade intelectual do nosso povo.
Posto isso, posso afirmar que o
PL ora submetido à Câmara dos Deputados pretende,
com os seus objetivos, tão-somente conscientizar a
sociedade brasileira sobre um dos valores mais altos
da nossa cultura - a língua portuguesa. Afinal, como
tão bem exprimiu um dos nossos maiores lingüistas,
NAPOLEÃO MENDES DE ALMEIDA, no Prefácio de sua
Gramática Metódica da Língua Portuguesa (28ª
ed., São Paulo, Edição Saraiva, 1979), "conhecer a
língua portuguesa não é privilégio de gramáticos,
senão dever do brasileiro que preza sua
nacionalidade. ... A língua é a mais viva expressão
da nacionalidade. Como havemos de querer que
respeitem a nossa nacionalidade se somos os
primeiros a descuidar daquilo que a exprime e
representa, o idioma pátrio?".
Movido por esse espírito, peço
toda a atenção dos meus nobres colegas de parlamento
no sentido de apoiar a rápida tramitação e aprovação
do projeto de lei que tenho a honra de submeter à
apreciação desta Casa legislativa.
Sala das Sessões, em 28 de
março de 2001.
Deputado ALDO REBELO
Anglicismos
são palavras provenientes do
inglês e usadas em
português, seja devido à
necessidade de designar objectos ou fenómenos novos,
para os quais não existe designação adequada na
nossa língua, seja por uma série de motivos de
carácter sociológico (ignorância da língua
portuguesa, dificuldades em traduções
inglês-português, aculturação, vontade de parecer
"distinto", etc.) que levam à preferência por
palavras inglesas, em detrimento das portuguesas.
Tanto o português de
Portugal como o do
Brasil incorporaram um número
considerável de anglicismos em décadas recentes,
embora nem sempre os mesmos. Alguns anglicismos
foram aportuguesados, outros permaneceram com a sua
grafia original.
Usos de palavras ou expressões originais da lígua inglesa
-
browser (navegador,
leitor de
hipertexto);
-
cowboy (vaqueiro; no estilo do Velho Oeste
nos EUA): filme de cowboy;
-
drag queen (travesti, homem vestido de
mulher)
-
hit (sucesso, grande sucesso: canção que faz
sucesso – Música);
-
homecenter (loja enorme para materiais de
construções)
-
home theather (cinema em casa)
-
home video (vídeo doméstico)
-
link (ligação - em informática):
links externos (ligações externas);
-
mouse (periférico de computador, em
informática);
-
play (reproduzir, tocar; reprodução: de
música ou vídeo);
-
performance (desempenho): A alta
performance de um computador (o alto desempenho
de...)
-
piercing (perfuração ornamental: em orelhas,
dentes, umbigos etc)
-
ranking (classificação,
quadro classificatório);
-
remake (regravação – Música)
-
remix (novo arranjo – Música);
-
shopping center ou apenas
shopping (centro de compras);
-
single (compacto: versão pequena, com 2 ou 4
músicas, dos obsoletos discos
LP);
-
site (sítio, em informática); site
oficial (sítio oficial)
-
skate (prancha de rodas)
Uso
de palavras inglesas
aportuguesadas (de uso aceito
em geral)
- bife (pedaço
de carne de gado; de "beef"; no entanto, bife é dito
"steak", em inglês, e "beef" é usado em inglês com o
sentido de carne bovina);
- futebol (de
football”, usado na Inglaterra e em todo o mundo
anglofônico, EXCETO nos EUA, onde o futebol que
conhecemos é dito como “soccer”, e a palavra
“football” é traduzida em português como “futebol
americano”, um tipo diferente do soccer,
famoso esporte em que se usa uma bola oval)
- handebol
(jogo semelhante ao basquete; de handball);
- tênis ou
ténis (esporte) (de "tennis");
- tênis ou
ténis (calçado) (de "tennis shoe");
- videoclipe
(ou clipe) (de “videoclip”);
Galicismo
ou francesismo é um
vício de linguagem em que se usa
palavra,
expressão ou construção proveniente do
francês ao invés de uma equivalente
vernácula. No início do século XX, uma
época em que a França exerceu forte influência sobre
as elites brasileiras, muitos gramáticos condenaram
o uso de palavras e construções transpostas
diretamente do francês, carcterizando esse uso como
"galicismo".
ð
avalanche
ð
boite
para boate
ð
ballet
para balé
ð
baton
para batom
ð
bibelot
para bibelô
ð
bidet
para bidê
ð
brevet
para brevê
ð
bouquet
para buquê
ð
boutique
para butique
ð
buffet
para bufê
ð
champagne
para champanha
ð
chalet
para chalé
ð
camelot
para camelô
ð
camionette
para camioneta (br. camionete)
ð
carnet
para carnê
ð
chic
para chique
ð
cognac
para conhaque
ð
complot
para complô
ð
coupon
para cupom
ð
crochet
para crochê
ð
dossier
para dossiê
ð
édredon
para edredom, edredão
ð
escroc
para escroque
ð
filet
para filé
ð
gaffe
para gafe
ð
garage
para garagem
ð
garçon
para garçom, garção
ð
glacé
para glacê
ð
guichet
para guichê
ð
guidon
para guidom, guidão
ð
maçon
para maçom
ð
madame
para madama
ð
mayonnaise
para maionese
ð
maquillage
para maquiagem, maquilagem
ð
marron
para marrom
ð
matinée
para matinê
ð
omelette
para omeleta, omelete
ð
pioerrot
para pierrô
ð
pivot
para pivô
ð
purée
para purê
ð
rouge
para ruge
ð
sabotage
para sabotagem
ð
toilette
para toalete
Os germanismos
Palavras derivadas do alemão
moderno. Não são muito numerosos no português do
Brasil. Em compensação, muitos nomes de pessoa que
têm uma larga tradição em nossa língua, provêm do
germânico, língua a partir da qual se formou o
alemão. Veja o significado original de alguns deles.
ð
Bernardo < hera (urso) + hardll,
(forte) = urso forte ou forte como um urso
ð
Fernando < *frithll (paz) + *nanth
(audacioso) = audacioso na paz
ð
Guilherme, fem. Wi1ma < vilja
(vontade) + helm (elmo)
ð
Leonardo < lev (leão) + hardu =
leão forte ou forte como um leão
ð
Rogério < hroti (fama) + ger
(dardo) = famoso por seu dardo
Italianismo
Ao longo dos séculos, o
italiano transmitiu ao português uma série de
palavras que denominam:
ð
Instrumentos musicais (violino,
viola, violoncelo, piano, corneta...)
ð
Modos de executar a música (adagio,
andante etc.)
ð
Comidas (salame, mortadela,
macarrão, pizza etc.)
É de origem italiana o
cumprimento "tchau", derivado da forma italiana
ciao, que na origem significava algo como
"criado seu, escravo seu".
A tendência das palavras
recebidas de outras línguas é serem reconhecidas,
num primeiro momento, como palavras estrangeiras,
porque soam diferentes e se escrevem segundo a
grafia da língua de origem. Aos poucos acontece uma
“adaptação” tanto da pronúncia como da grafia; com
isso, as palavras “importadas” acabam por
confundir-se com as palavras mais antigas da língua.
AMBIGUIDADES
“Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face
neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?”
(Carlos Drummond de Andrade, 1999)
Ao tratar-se da ambigüidade lexical não é
possível deixar de fazer referência às dificuldades
encontradas, dentro dos estudos lingüísticos, para
diferenciar duas de suas distintas e importantes
manifestações: a polissemia e a homonímia. A
primeira delas pode ser vista como a capacidade que
uma palavra tem de assumir significados diferentes,
embora mantendo entre eles uma relação semântica
básica. Em uma representação homonímica, ao
contrário, ter-se-íam palavras que, embora grafadas
da mesma maneira, não mantêm qualquer relacionamento
semântico entre si. Recorrendo a exemplos a
homonímia seria facilmente percebida em frases como:
“Maria sentou-se no banco da praça para ler
um romance. (banco no sentido de assento); O
banco só abre às 10 horas da manhã para
atendimento externo (banco como uma instituição
financeira)”. Para representar o fenômeno da
polissemia, o mesmo autor apresenta alguns dos
diversos significados que podem ser atribuídos à
palavra quente: irritado, radioativo,
pessoa de sorte, apimentado e sensual.
Ambigüidade é a característica
das sentenças que apresentam mais de um sentido. Um
bom teste para saber se uma sentença tem mais de um
sentido consiste em propor a ela duas reformulações,
inventando em seguida uma situação em que a primeira
reformulação seja verdadeira e a segunda falsa ou
inaplicável. Tomemos como exemplo esta manchete de
jornal (FSP, 17.10.1996)
Ladrões inovam no ataque a
mulheres em carros
Primeira
reformulação: "Os ladrões descobrem
novas maneiras de atacar mulheres
motoristas."
Situação-teste: Imagine que
essa frase fosse usada em 1940, quando as mulheres
não dirigiam. A primeira reformulação não se
aplicaria, a segunda poderia ser verdadeira. Pode-se
então concluir que a manchete em questão é ambígua.
Os fatores linguísticos da
ambiguidade são muitos. Eis alguns:
ð
A sentença aceita duas análises
sintáticas diferentes:
Ex. Ambulante vende
clandestino no centro (FSP, 2.8.1998)
["Ambulante vende
clandestinamente..." / "Clandestino é vendido no
centro"].
ð
Um mesmo pronome aceita dois
antecedentes:
Ex. Duquesa de York diz que
nobreza quer manchar sua imagem (Hoje em Dia -
BH, 20.1.1996) ["[...] manchar a imagem da
duquesa"/"[...] manchar a imagem da nobreza"];
ð
Uma mesma palavra tem dois sentidos
diferentes
ð
Um mesmo operador se aplica de duas
maneiras sentença
Ex. Palmeiras só empatou com
Bahia pelo Brasileiro – 1996 (FSP; 11.8.1996)
["Jogando contra o Bahia pelo
Brasileiro de 1996, o Palmeiras não vai além do
empate" / " A única ocasião em que o Palmeiras
empatou com o Bahia até hoje foi durante o
Campeonato Brasileiro de 1996”]
=> Uma mesma seqüência de
palavras pode ou não ser interpretada como uma frase
feita.
Ex: A - O Senhor Guimarães caiu
das nuvens.
B - Ficou surpreso com alguma
coisa?
A - Não, caiu das nuvens mesmo.
O avião em que ele voava sofreu uma pane.
Além dos fatores que chamamos
aqui de lingüísticos, a ambigüidade pode derivar de
nossa dificuldade em decidir se as palavras foram
usadas “literalmente” ou de maneira indireta (por
exemplo: para fazer ironia). Todos nós já passamos
pela difícil situação de não saber se determinada
frase nos foi dita ironicamente, ou se continha
alguma indireta.
HOMONÍMIA
Palavras homônimas são aquelas
que se pronunciam da mesma maneira, mas têm
significados distintos e são percebidas como
diferentes pelos falantes da língua. O exemplo
clássico é o substantivo feminino manga: ora nome de
uma fruta, ora nome da parte de certas peças de
roupa que cobrem os braços (ou parte dos braços).
Há homônimos que pertencem à
mesma classe gramatical e homônimos que pertencem a
classes gramaticais diferentes:
ð
banco (de jardim) e banco (casa de
crédito) são ambos substantivos.
ð
passe (de ônibus) e passe (de um
jogador a outro, no futebol) são ambos.
ð
substantivos que se opõem à forma
passe ("por favor, passe o açucareiro"), imperativo
e subjuntivo do verbo passar.
ð
pia (lavatório) é um substantivo;
ele pia (uma das tantas vozes de piar) é um verbo;
pia (piedosa) é um adjetivo.
Há homônimos que se escrevem da
mesma maneira e outros que se escrevem de maneiras
diferentes:
ð
cinto e sinto
ð
sessão (de cinema), seção
(repartição de um órgão público) e cessão (de
direitos)
ð
cerrado e serrado
Há casos em que o uso de uma
palavra pela outra leva a problemas de comunicação,
alguns trágicos, outros cômicos. Mas comumente o
contexto elimina as possíveis dúvidas causadas pela
homonímia. Assim, a frase como:
O Marquinho desperdiçou o
passe.
muda de sentido quando é
inserida num contexto maior, por exemplo,
O Marquinho
desperdiçou o passe. Subiu no ônibus errado.
O Marquinho desperdiçou o
passe. Na hora de chutar; chutou uma touceira de
grama
Além disso, a frase
As balas estão acabando.
assume sentidos diferentes se
for pronunciada pelos participantes de um tiroteio
ou pelo vendedor de doces que abastece a cantina da
escola.
Você encontrará a seguir
algumas palavras de duplo sentido, que começam com
diferentes letras do alfabeto.
ð
abrigo (conjunto de moleton /
albergue)
ð
batida (bebida que mistura cachaça
e suco de fruta / colisão de automóveis)
ð
canela (parte da perna / tempero)
ð
dado (instrumento de jogo /
informação)
ð
entrevar (tolher os movimentos /
cobrir de trevas)
ð
frango (ave / gol sofrido por
Incompetência do goleiro)
ð
grama (medida de peso / relva)
ð
lima (fruta / ferramenta)
ð
mangueira (tubo de borracha/árvore)
ð
namorado (peixe/parceiro da
namorada)
ð
oração (discurso / reza)
ð
pena (castigo / cobertura do corpo
das aves)
ð
zebra (animal/acontecimento
inesperado)
As homônimas podem ser:
· Homógrafas heterofônicas ( ou homógrafas) - são as palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia.
Ex.: gosto (substantivo) - gosto (1.ª pess.sing.
pres. ind. - verbo gostar)
Conserto (substantivo) - conserto (1.ª pess.sing.
pres. ind. - verbo consertar)
· Homófonas heterográficas ( ou homófonas) - são as palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita.
Ex.: cela (substantivo) - sela ( verbo)
Cessão (substantivo) - sessão (substantivo)
Cerrar (verbo) - serrar ( verbo)
Cesta = utensílio de vime, etc.
Sexta = ordinal referente a seis.
Cheque = papel com ordem de pagamento
Xeque = lance no jogo de xadrez, ex-soberano da
ex-Pérsia (atual Irã), perigo
Cocho = vasilha, recipiente onde secolocam alimentos
ou água, para animais
Coxo = que manca de uma perna
Concerto = harmonia, acordo, espetáculo
Conserto = ato de consertar, remendar
Coser = costurar
Cozer = cozinhar
Empoçar = formar poça
Empossar = dar posse a
Intercessão = ato de interceder
Interseção = ponto onde duas linhas se cruzam
Ruço = pardacento, cimento; alourado
Russo = relativo a Rússia
Tacha = pequeno prego, tacho grande
Taxa = imposto, juros.
Tachar = censurar
Taxar = regular, determinar a taxa
Homófonas
homográficas ( ou homônimos
perfeitos) - são as palavras iguais
na pronúncia e na escrita.
Ex.: cura (verbo) - cura (
substantivo)
Verão ( verbo) - verão ( substantivo)
Cedo ( verbo ) - cedo (advérbio)
Paronímia
É a relação que se estabelece
entre duas ou mais palavras que possuem significados
diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e
na escrita - PARÔNIMOS.
Ex.: cavaleiro - cavalheiro
Absolver - absorver
Comprimento - cumprimento
POLISSEMIA
Fala-se em "polissemia" a
propósito dos diferentes sentidos de uma mesma
palavra que são percebidos como extensões de um
sentido básico.
A polissemia se opõe à
homonímia: para que haja polissemia, é preciso que
haja uma só palavra; para que haja homonímia, é
preciso que haja mais de uma palavra. Há
continuidade entre os vários sentidos que assume uma
palavra ou construção polissêmica entre os sentidos
próprios de palavras homônimas, há descontinuidade.
Além das palavras, a polissemia
afeta a maioria das construções gramaticais: um bom
exemplo é o chamado "aumentativo" dos nomes: se
pensarmos nas razões pelas quais alguém poderia ser
chamado de Paulão, em vez de Paulo, encontraremos
explicações como "porque é alto", "porque é grande",
"porque é grosseiro", "porque é desajeitado" e até
mesmo "porque é uma pessoa com quem todos se sentem
à vontade". Normalmente é difícil dizer até que
ponto vale cada uma dessas explicações. Da idéia de
tamanho passa-se à de um certo modo de ser e de
relacionar-se.
Um dos problemas que todo
dicionarista enfrenta é o de organizar os sentidos
das palavras na forma de verbetes. Normalmente, o
dicionarista usa verbetes diferentes para dar conta
da homonímia e, no interior de cada verbete, trata
dos casos de polissemia. Veja o que acontece no
recorte abaixo. extraído do Dicionário Brasileiro da
Língua Portuguesa. de Adalberto Prado e Silva e
outros.
velar 1, v.
(l.velare).1. Tr. dir. e pron. Cobrir(-5e)com véu; A
dama velou o rosto. Velara-se pudicamente. 2. Tr.
dir. Encobrir, ocultar, tapar: O pintor velou a
impressionante tela. 3. Tr. dir. Pint. Por velatura
em. 4. Tr. Dir. Fot. lmpressionar excessiva ou
inoportunamente: A luz velou o filme. 5. Pron.
Encobrir-se. ocultar-se: Velou-se a estrela por trás
das nuvens. 6. Tr. Dir. Tornar sombrio; tornar menos
brilhante ou menos claro pela interposição de um
corpo; empanar: Uma faixa escura velara a cena.
“Se observarmos as frases:
A maçã está podre e o pêssego
está bom.
Ele é um bom rapaz.
Conseguimos um bom
resultado.
Não estás bom da cabeça.
Tiraremos a conclusão de que
temos uma mesma palavra (ou significante) – bom
(do latim < bonu) – que apresenta em cada
frase uma acepção algo diferente, mas cujo
sentido original é o mesmo.
significado 1 (= ileso, são)
significado 2 (= generoso)
significado 3 (= valioso)
significado 4 (estar doido,
variar)
Ao consultarmos um dicionário,
verificamos que a maioria das palavras são
polissémicas, isto é, contêm várias acepções.
Só o contexto em que cada palavra se encontra nos
permite determinar com exatidão qual o seu
significado, e resolver assim casos de ambigüidade
na interpretação dessa palavra.
A organização expressiva do
contexto (existência da metáfora, metonímia, etc.)
explora e põe em evidência as possibilidades
polissêmicas de uma palavra.
Vamos ver mais dois exemplos de
palavras polissêmicas em contexto.
O último exemplo de cada palavra mostra-a num
contexto claramente figurado:
Viam-se muitas estrelas,
no céu, esta noite.
A Rita é a estrela da
companhia.
Ela tem o chapéu na cabeça.
Ela vinha à cabeça do
grupo que entrou na sala.
Ela é muito inteligente, é a
cabeça do grupo.»
(Pinto 1994: 190)
NU
(1) Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.
(2) Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.
(3) Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.
(4) Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.
(5) Teus exíguos seios
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos –
(6) Brilham. Ah, teus seios?
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!
(7) Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.
(8) Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.
(9) Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...
Bandeira, M. (2002). Meus poemas preferidos. Rio de
Janeiro: Ediouro.
“Nu. Adj. 1. Privado
de vestuário; despido, desnudo. 2. Sem cobertura;
exposto, descoberto. 3. Descalço: pés nus
. 4. Sem folhas. 5. Sem vegetação;
escalvado. 6. Desguarnecido, desornado,
desataviado. 7. Sem nada; vazio. 8.
Destituído, carecente. 9. Sem afetação;
simples, sincero, franco. 10. Não disfarçado;
patente, evidente. 11. Tosco, grosseiro.
12. Desembainhado (a espada). [Fem.: nua.S.m.
13. Aquele que não tem o que vestir. 14.
Nudez (1). 15. Art. Plást. V.
nu artístico. ”
O que distingue
polissemia de homonímia?
São conceitos bem distintos; contudo, quem nem
sempre colabora docilmente é o material a que eles se aplicam- as
palavras, as infinitas e misteriosas palavras. Pensa no vocábulo
manga: existe alguma relação entre a fruta e a manga
da camisa? Trata-se de um só vocábulo com dois sentidos, ou são dois
vocábulos diferentes com a mesma forma? Quando um vocábulo
representa mais de um significado, chamamos isso de polissemia.
Quando dois vocábulos diferentes, de origens e significados
diversos, terminam convergindo para a mesma configuração fonológica
e ortográfica, chamamos de homonímia.
Um bom exemplo de vocábulo polissêmico
(do Grego poli, "muitos", e sema, "significado") é
letra, que tem no mínimo três significados bem conhecidos: (1)
um dos sinais gráficos do alfabeto; (2) o texto de uma canção; (3)
um título de crédito. Para a maioria dos falantes não parece difícil
ligar entre si esses três significados, já que todos eles estão
relacionados pela idéia de escrita.
Quando, no entanto, não conseguimos estabelecer
uma relação satisfatória entre os significados - como no caso da
manga -, há forte probabilidade de que estejamos diante de um
par de vocábulos homônimos. Uma rápida investigação no
dicionário confirma nossa intuição: a fruta vem do Malaio "manga",
enquanto a parte da vestimenta vem do Latim "manica". Um bom
dicionário deveria tentar distinguir os casos de homonímia
dos casos de polissemia: manga mereceria dois verbetes
diferentes, enquanto os vários significados de letra seriam
relacionados no corpo do mesmo verbete. No entanto, como nem sempre
é fácil decidir se estamos diante de um ou de outro caso (pensem nos
cravos da florista, no cravo que faz par com a canela
no doce, nos cravos que pregaram Cristo na cruz, na música de
cravo de Bach e de Scarlatti e nos cravos da pele -
como classificar?), a maioria dos dicionaristas limita-se a
relacionar e definir cada um dos significados: cravo (1) flor
...; (2) prego ...; (3) instrumento ... - e assim por diante, porque
eles sabem que essa informação basta para o usuário comum.
É lamentável que seja essa a prática mais
difundida nos dicionários nacionais, pois ela termina favorecendo a
falsa ligação entre termos de origens distintas e deixando solta a
criatividade do leitor para imaginar famílias etimológicas sem
fundamento algum, como vem acontecendo, por exemplo, com coito
e coitado. Nota que a tarefa não é das mais árduas: enquanto
a polissemia está presente em quase todos os verbetes (os
lexicógrafos dizem que vocábulos que só têm um significado são
raríssimos, geralmente referindo-se a aspectos muito particulares da
realidade - lembro de glabro - "sem barba ou sem pêlos", ou
de acusma - "alucinação auditiva"), os homônimos não
existem em grande número e poderiam ser listados exaustivamente.
MOTIVAÇÃO ICÔNICA
Todo sistema de comunicação é composto por
sinais aos quais está associado um sentido. O fundamento da relação
sinal/sentido pode ser:
ð
lndicial: baseado na proximidade (a fumaça nos faz pensar em fogo,
as pegadas de um animal denunciam sua passagem recente ).
ð
lcônico, baseado na semelhança (a fotografia de uma pessoa nos
lembra a pessoa, a maquete de uma represa nos lembra a represa).
ð
Arbitrário, baseado em algum tipo de convenção (a estrela de três
pontas, símbolo da marca de automóveis Mercedes, nada tem a ver com
as características do produto; o uso da árvore como símbolo da
editora Abril também não tem nada a ver com as publicações que ela
edita).
Nas línguas historicamente constituídas, entre
elas o português, encontramos, em proporções diferentes, essas três
situações:
ð
São indiciais, por exemplo, os dêiticos;
ð
É arbitrária a grande maioria das palavras e construções;
ð
É icônica uma pequena parte do vocabulário e dos processos
gramaticais.
Vamos analisar neste capítulo o terceiro caso,
considerando palavras e construções gramaticais cuja forma reproduz
características das realidades de que falam.
As principais manifestações da motivação
icônica, na linguagem, são:
ð
A onomatopéia, que geralmente busca reproduzir ritmos e timbres;
ð
O uso da ordem no texto para indicar seqüenciação dos fatos;
ð
A maior proximidade das formas, indicando maior proximidade dos
objetos ou conceitos de que se trata.
O português do Brasil é rico em nomes criados
especialmente para imitar ritmos: telecoteco, balacobaco,
esquindô-esquindô. No passado, quando era comuum, mesmo em grandes
cidades, as pessoas se reunirem no botequim da esquina para uma
batucada; os batuqueiros usavam frases em português como comandos
para os diferentes ritmos da percussão. Alguns desses nomes eram
neutros, outros eram chulos, mas tinham uma acentuação muito
definida e desempenhavam à perfeição a função de identificar um
ritmo como exemplo "Tecutuco não cutuco ".
Um efeito icônico (ou indicial?) é obtido
quando se alonga além do normal a sílaba tônica de uma palavra. Para
encarecer a distância de um lugar, pode-se dizer que ele fica
loooooooooooooooooonge; que para chegar a esse lugar a gente
aaaaaaaaaaaaaaaanda; que é inevitável chegar cansaaaaaaaaaaaaado.
Nas reportagens esportivas transmitidas pelo rádio, esse efeito é
explorado na pronúncia da palavra goooooooooooooooool, e outras.
Costuma-se atribuir às professoras primárias o
hábito de ler as palavras destacando as sílabas, para facilitar o
ditado ("o be-bê ba-ba"). Essa maneira de pronunciar recebe por
vezes o nome de "staccato". Pronúncias staccato não são, na verdade,
exclusividade das professoras primárias. Imagine um pequeno diálogo
que termina com as seguintes palavras:
Impossível! I IM-POS-SÍ-VEL!
Só amanhã. I SÓ A-MA-NHÃ!
Que diferença faz a leitura staccato?
CAMPOS LEXICAIS
Constituem um campo lexical as palavras que
nomeiam um conjunto de experiências em algum sentido análogas. Os
nomes das cores, por exemplo, que se referem a um tipo particular de
experiência visual ou os nomes dos animais, que organizam parte de
nossa experiência dos seres vivos, constituem campos lexicais.
Para organizar um campo lexical, dispomos de
pelo menos dois recursos: a chamada análise componencial e a análise
por protótipos.
A análise componencial parte do
princípio de que a significação das palavras pode ser "quebrada" em
unidades menores (geralmente chamadas de "componentes" ou "traços
semânticos") e que as unidades encontradas na análise de uma
determinada palavra reaparecerão em outras palavras. Seria possível,
assim, verificar que duas ou mais palavras têm em comum, realizando
operações que lembram a fatoração da aritmética. Por exemplo:
quadrado = [ +
figura geométrica]
[+ plana]
[+ côncava]
[ + com quatro lados ]
[+ lados iguais]
[+ ângulos iguais]
Alguns desses traços são igualmente necessários
na caracterização de um triângulo, losango, retângulo, pentágono
etc.
Na análise por protótipos, identificamos
indivíduos que representam melhor toda uma categoria e procuramos
entender os demais elementos da categoria a partir da nossa
experiência (não traduzida em traços) daqueles indivíduos. Para
organizar a categoria de pássaros, por exemplo, podemos tomar como
referência o pardal e perguntar-nos quais são os animais que mantêm
com ele uma semelhança incontestável: feito este teste,
provavelmente diremos que o sabiá é um pássaro, mas o peru não é.
FLEXÃO NOMINAL
A gramática tradicional reunia sob o nome de
"flexão nominal" alguns fenômenos que dizem respeito aos nomes, isto
é, aos substantivos e adjetivos a saber: (a) a variação de gênero e
de número expressa pelo uso de desinências; (b) a formação dos graus
do substantivo e adjetivo, que apelam para sufixos como -inho, -ão,
-zarrão, -íssimo, -érrimo.
As flexões nominais são aquelas que se aplicam
aos substantivos e adjetivos, a saber, as de gênero, número e grau,
representadas pelo quadro abaixo:
Flexão
Substantivos
Adjetivos
Gênero
Masculino x Feminino
Avô / Avó bom
/ boa
Porco / porca
Gato / gata
Número
Singular x Plural
Porco / porcos bom livro / bons
livros
gato / gatos
Grau
Normal x Diminutivo
Porco / porquinho
(bonzinho/bonzão)
x Aumentativo
porcão (porcaço)
Normal x comparativo
alto / altíssimo
x superlativo
Essas variações sempre foram assunto das
gramáticas ao passo que os dicionários, tradicionalmente, registram
os substantivos e os adjetivos no "grau normal"
Além das terminações típicas
( -a para, para o feminino e -s para o plural), as
mudanças de timbre têm um papel importante no
reconhecimento do gênero e do número (p.e. porco/porcos -ô / ó ).
Para formar o gênero, e o grau, certos
substantivos e adjetivos não recorrem à flexão, sendo necessário
lançar mão de outras palavras: é o fenômeno da supletividade.
É o caso dos exemplos a seguir:
Cavalo / égua (a cavala existe, mas é um peixe)
Carneiro / ovelha
Bom / boníssimo ou ótimo
Mau / péssimo
Há, na língua, alguns "falsos femininos" como
cano / cana
tranco / tranca
porto / porta
RECONHECIMENTO DE FORMAS DE
UM MESMO PARADIGMA FLEXIONAL
Como falantes de português, sabemos
intuitivamente que certas formas pertencem a um mesmo paradigma
flexional. Isso nos permite "juntar" todas as formas que um verbo,
um substantivo ou um adjetivo podem assumir. Por exemplo, sabemos
que as formas (eu) via, vendo e visto pertencem ao verbo ver.
Sabemos também que (eu) vendo, venderei e vendido pertencem ao verbo
vender:
Para manusear o dicionário, é preciso saber que
formas são tradicionalmente escolhidas como representantes de todo
um paradigma flexional. As formas que representam um paradigma
flexional são:
ð
Para os substantivos: o masculino singular; assim, menino se
torna representante do paradigma em que encontramos menino, menina,
meninos, meninas, menininha, meninão...
ð
Para os verbos: o infinitivo; assim, correr; se torna
representante do paradigma em que encontramos eu corro, ele corria,
correndo, correrei, se nós corrêssemos etc.
ð
Para os adjetivos: o masculino singular do grau positivo;
assim caro se torna representante do paradigma em que encontramos:
caro, cara, caríssimo, caríssima, mais caro, menos caro, o mais caro
( de todos) etc.
Reconhecer que determinadas formas pertencem a
um mesmo paradigma pode ser um meio de lidar com a irregularidade da
flexão.
FORMAÇÃO DE PALAVRAS
NOVAS E SENTIDOS NOVOS NA LÍNGUA
Enquanto se discute se as palavras de origem
estrangeira "corrompem" a língua, o português cria todo dia palavras
novas, recorrendo a processos de formação próprios (como a
sufixação, a prefixação e a composição) ou atribuindo novos sentidos
a palavras previamente existentes.
É comum que palavras e expressões já existentes
na língua ganhem novos sentidos. A palavra carro, por exemplo, que
indicava o carro de bois no século passado, é hoje o termo corrente
para indicar o veículo movido por um motor a explosão que, mais
refinadamente, é chamado de automóvel.
Também é comum formar palavras pela combinação
de morfemas, isto é, unidades significativas de dimensões inferiores
à palavra. De acordo com um dos principais especialistas no assunto,
o Prof. Antônio José Sandman (em Formação de Palavras no Português
Brasileiro Contemporâneo, 1989), os processos de formação de
palavras mais usados no português atual são, por ordem de
importância, a sufixação, a prefixação e a composição que, juntos
respondem por cerca de 90% da formação de novas palavras a partir de
material já presente na língua. Como exemplos desses processos foram
usadas a seguir algumas palavras que, a julgar pelos dicionários,
têm menos de 50 anos.
Processo Sufixação =>
-ismo / -ista: / -ando / -ento / -ável / -uda / -aço / -ite /
-ose / -issimo / -ês / -esco /-arada / -ar /-ir: malufismo,
malufista, vestibulando, piolhento, malufento, reitorável,
presidenciável, topetudo, panelaço, buzinaço, bandejaço, governite,
frescurite, xuxite, sinistrose, candidatíssimo, gatíssima, economês,
computadorês, vampiresco, policialesco, filharada, malufar,
collorir.
Sufixação => -gate / -dromo /
-lândia: collorgate, autódromo, sambódromo, malhódromo, camelódromo,
fumódromo, Boatolândia, Eletrolândia.
Prefixação => anti- / des- /
disque- / hiper- / in- / maxi- / macro- / meemicro- / mini- / multi-
/ não- / sem- / super- / tele- : anticandidato,
descupinização, desempregado, desprefeito (aplicado a Jânio Quadro
pelo OESP}; disquepizza, hipermercado, impopular;
maxidesvalorização, megainvestidor, microempresa, minimercado,
multinacional, o não-governo do Rio, um país não-alinhado, sem
terra, sem teto telegaleto, telepizza, televenda, telecompra etc.
Composição Substantivo + Substantivo:
DETERMINADO + DETERMINANTE:
seguro-desemprego, greve-relâmpago, bolsa-pesquisa, bolsa-estágio,
conta-fantasma, funcionário-fantasma, futebol-espetáculo,
vale-brinde, vale-refeição.
DETERMINANTE + DETERMINADO:
gibiteca, motogincana, pornodeputada, ecoturismo, dinossauromania,
cervejólatra, motoboy, motorromeiro.
Menos usados, mas ainda assim importantes são
as seguintes "formações especiais":
Cruzamentos de palavras: Goianobil (Goiânia +
Chemobil); Frangarel (Frangueiro + Taffarel);
Baianeiro (baiano + brasileiro); miserite
(miséria + holerite)
Formações analógicas: videasta (sobre
cineasta), tratorata, carreata (sobre passeata), metroviário (sobre
ferroviário);
Vários tipos de abreviações: melô (por
melodrama), multi (nacional), retrô (retrógrado ), confa (por
confusão), rebu (por rebuliço), proleta (por proletário), longa (por
longa-metragem), beerre (por rodovia federal).
SUFIXOS
Chamamos sufixos às unidades significativas,
inferiores à palavra, que se acrescentam "à direita" de um radical,
formando novas palavras. O sufixo não é, normalmente, a penúltima ou
a última unidade significativa da palavra. Depois do sufixo, as
palavras do português podem ainda apresentar uma flexão (de gênero e
número, quando se trata de substantivos; de tempo e modo quando se
trata de verbos etc.).
Os sufixos disponíveis na língua portuguesa são
muitos, mas nem todos são igualmente produtivos. Entre os que mais
formam palavras nos nossos dias estão:
-ismo, -ista: malufismo, malufista
-ose: sinistrose, poliesculhambose
-ando: doutorando, formando
-íssimo: candidatíssimo, gatíssima
-ento: piolhento,pefelento
-ês: economês, politiquês,
-ável: reitorável, presidenciável computadorês
-udo: topetudo, narigudo, sortudo
-esco: vampiresco, policialesco
-aço: ricaço, panelaço, buzinaço, bandejaço
-arada: filharada
-ar: malufar; amarelar
-ite: governite, frescurite, xuxite
-ir: collorir; florir
Menos usados hoje, mas importantes em outras
épocas da história da língua foram:
-ama: dinheirama
-edo: bicharedo, arvoredo
-aréu: mundaréu, povaréu
-idão: mansidão
-itude: pulcritude, negritude
-onho: medonho, enfadonho
Um dos principais problemas do estudo dos
sufixos é que, em geral, eles têm mais de um sentido. O mesmo
sentido pode ser também expresso por mais de um sufixo. Temos assim
-eiro, -ense, -ano => que nasce ou mora em ...
-eiro => que nasce ou mora em...; lugar onde se
cria...
SUBSTANTIVOS CONTÁVEIS
E NÃO-CONTÁVEIS
Há na língua substantivos que são sempre
contáveis, como casa, pessoa, prego, dedo; substantivos que são
sempre não-contáveis, como ar, gasolina, farinha, tinta. A grande
diferença é que os contáveis designam objetos discretos (isto é,
entre os quais não há continuidade), que quando são acrescentados
uns aos outros resultam num plural:
aquela casa + aquela ( outra) casa = aquelas
casas
Ao passo que os não-contáveis designam porções
de alguma substância que, acrescentadas a outras porções da mesma
substância, resultam ainda em uma porção da mesma substância
Já havia guaraná no copo. Acrescentei mais
guaraná. O que há no copo? - Guaraná.(Note que ninguém diria
guaranás ou dois guaranás.)
Além dos substantivos que só se usam como
contáveis ou como não-contáveis, há outros que admitem os dois usos:
No lanche, Joãozinho Anorexia comeu um pão
com um presunto. vs. No lanche, Joãozinho Anorexia comeu pão com
presunto.
Os substantivos não-contáveis não se combinam,
normalmente, com palavras que indicam o resultado de uma contagem
(exata ou não) feita "por exemplares" ou "por cabeças", por exemplo
os numerais cardinais e ordinais e os coletivos que indicam número
(três, cem, uma dúzia, uma centena, uma grosa):
uma dúzia de pregos versus uma dúzia de
enxofre
Para acrescentar uma idéia de quantidade aos
substantivos não-contáveis, dependemos de usar nomes que indicam uma
certa porção da substância indicada:
uma porção de...
maionese,
uma dose de...
pinga, cocaína, remédio, uísque etc.
uma colher de chá de...
açúcar, sal etc.
Nomes não-contáveis, quando são usados como
contáveis, indicam (a) qualidades ou marcas comerciais de algum
produto; ou ainda (b) quantidades de alguma substância,
correspondentes a embalagens de dimensões convencionais:
uma pinga (= um cálice, normalmente um copo de
25 ml)
duas cervejas (= duas garrafas de cerveja, cada
uma com 600 ml)
duas feijoadas e uma salada mista (= duas
porções de feijoada e uma porção de salada mista)
Os nomes de pratos de comida são não-contáveís
(feijoada mais feijoada = feijoada ), menos no restaurante.
Imagine-se na situação do garçom que recebe as ordens e pense por
que é melhor "Três feijoadas no capricho!" do que "Feijoada no
capricho para três!".
Analise esta receita de bolo: veja quais,
dentre os substantivos em destaque, são contáveis e quais
não-contáveis:
Bolo de cenoura
Bater no liquidificador: 4 ovos mais 2 cenouras
cruas picadas + uma xícara de óleo.
À parte, misturar: 2 copos de farinha, 2 copos
de açúcar, 1 colher de pó Royal
Depois de bem batidos os ingredientes que foram
ao liquidificador, misturar com os ingredientes secos. Untar uma
assadeira, pulverizar com farinha, despejar a massa, assar.
Cobertura: 7 colheres de açúcar, 2 colheres de
leite, 2 colheres de manteiga, 2 colheres de chocolate em pó
Levar ao fogo para ferver bem. Despejar sobre o
bolo assado e levar tudo ao forno por alguns minutos.
TERMOS GENÉRICOS E
TERMOS ESPECÍFICOS
Ao falar das mesmas realidades, podemos aplicar
a essas realidades palavras que evocam conceitos mais ou menos
abrangentes. Por exemplo, Caruso, meu canário, é ao mesmo tempo um
canário, um pássaro, um bicho, um ser vivo...
Interessa dispor da noção de hiponímia:
a palavra canário é hipônima da palavra pássaro. As palavras
automóvel, ônibus, motocicleta são hipônimos de veículo etc. A noção
de hiponímia tem a ver com inclusão: todo canário é um pássaro, mas
nem todo pássaro é um canário.
Interessa também observar que, em oposição aos
termos específicos correspondentes, os termos genéricos
ou hiperônios são aqueles que se aplicam a
conjuntos mais amplos de objetos (os lingüístas dizem por isso que
eles têm extensão maior), mas nos dão pouca informação sobre como
são os próprios objetos (compreensão menor): ficamos sabendo mais
sobre as características de um animalzinho de estimação se ele for
descrito como um canário e ficamos sabendo menos se ele for
descrito, genericamente, como um pássaro.
I. Separe dos demais o nome de significação
mais genérica:
{gato, bicho, leão, jacaré}
{capturar, agarrar, segurar, apanhar, pegar}
{oficial, tenente, capitão, major, general de
divisão}
{flor, crisântemo, cravo, rosa, orquídea}
{ automóvel, caminhão, bicicleta, veículo,
carruagem}
{praça, beco, logradouro, avenida, travessa}
{batedeira de bolo, eletrodoméstico, geladeira,
liquidificador, forno de microondas}
{artilharia, cavalaria, marinha, aviação, arma
}
II. Escolha o termo que preenche melhor a
lacuna:
Fulano de tal come tudo quanto é
_______________ : bolo, pudim, manjar.
Tenho amigos de todas as _______________:
protestantes, judeus, muçulmanos, católicos.
Já pratiquei muitos ____________ : natação,
vôlei, ginástica olímpica, salto com vara.
Na moda do ano que vem voltam alguns tipos de
_____________ que estavam esquecidos há algum tempo, como as
sandálias, os tamancos e os sapatos de salto baixo.
Exercícios
Esse texto servirá de base para as questões 1 a
4.
O que mais dói não é a fratura:
Ao invés de afagos, pancadas. No lugar de
abraços, beliscões. Assustadoramente, a agressão física a crianças e
adolescentes se torna cada vez mais comum em nossa cidade. E, todo
dia, a gente do Hospital Samaritano sente isso na pele. Por isso, ao
patrocinar o Prêmio Mídia da Paz, promovido pela Revista Imprensa, o
Hospital Samaritano pretende alertar a comunidade sobre esses
inaceitáveis atos, que vêm sendo praticados por pessoas a quem a
sociedade chama de adultos. E, mais que isso, convocar jornalistas e
órgãos de imprensa de todo o Brasil a engrossar essa corrente de
alerta à violência infantil: fiscalizando, denunciando, ajudando a
evitar todo e qualquer ato de agressão física às nossas crianças.
1) De acordo com o texto “afagos, pancadas” e
“abraços, beliscões” são termos:
a)
antônimos
b)
sinônimos
c)
homônimos
d)
arcaicos
2) “Agressão física”, nesse texto é:
a)
um hiperônimo de pancadas e beliscões
b)
um hipônimo de pancadas e agressões
c)
uma definição de pancadas e agressões
d)
um termo polissêmico
3) Observe os termos “adultos” e “crianças”,
nesse texto eles estão funcionando como:
a)
sinônimos
b)
antônimos
c)
homônimos
d)
hiperônimos
4) No texto, qual das palavras abaixo tem um
valor polissêmico:
a)
adultos
b)
alertar
c)
cidade
d)
sociedade
5) “Ele deveria se juntar ao grupo de apoio aos
procrastinadores compulsivos, mas acho que vai adiar a decisão.”
Analisando a frase acima, escolha a alternativa que apresenta um
antônimo de “procrastinar”:
a)
antecipar
b)
adiar
c)
ratificar
d)
prever
6) Identifique a alternativa em que todas as
palavras são formadas com o uso de um prefixo com sentido contrário
ao prefixo da palavra “megarreforma”
a) microbiologia, microscópio, microrregião,
microfone.
b) hipermercado, hipersensível, hipertensão,
hipertermia.
c) megalópole, megalomaníaco, megashow,
megascópio.
d) semicírculo, semiconsciência, semideus,
semidiâmetro.
7) Em “Meu ficante não pára de me ligar”, o
termo ficante representa:
a) Neologismo, por ter sido criado a partir do
verbo ficar na linguagem comum entre os jovens.
b) Estrangerismo, visto não ter sido
incorporado nos dicionários mais recentes.
c) Onomatopéia, porque foi criado levando em
conta os sons naturais.
d) Arcaísmo, por ter sido próprio de gerações
mais velhas.
O trecho a seguir pertence a um conto em que
aparecem duas meninas (Brejeirinha e Pele) e a mãe, dentro de casa,
enquanto está chovendo:
Brejeirinha se instituíra, um azougue de
quieta, sentada no caixote de batatas. Toda cruzadinha, traçadas as
pernocas, ocupava-se com a caixa de fósforos. A gente via
Brejeirinha: primeiro, os cabelos, compridos, lisos, louro-cobre; e,
no meio deles, coisicas diminutas: a carinha não-comprida, o
perfilzinho agudo, um narizinho que-carícia. Aos tantos, não parava,
andorinhava, espiava agora - o xixixi e o empapar-se da paisagem
as pestanas til-til. Porém, disse-se-dizia ela, pouco se vê,
pelos entrefios: - "Tanto chove, que me gela!" Aí, esticou-se para
cima [...] observava da árvore não se interromper mesmo assim, com
essas aguaceirices, de durante dias, a chuvinha no bruaar e a pálida
manhã do céu. Mamãe dosava açúcares e farinhas, para um bolo. Pele
tentava ajudar, diligentil.
João Guimarães Rosa. "Partida do audaz
navegante". In Primeiras estórias.Rio de Janeiro, José Olympio,
1969.
8) No trecho, foi utilizado o recurso da
sufixição, para fazer várias referências à menina Brejeirinha com
palavras no diminutivo. Assinale a alternativa abaixo que mostra
esse processo.
a) coisicas, cruzadinha, pernocas,
carinha, perfilzinho, narizinho.
b) narizinho, pernocas, entrefios, perfilzinho,
cruzadinha, carinha,
c) carinha, chuvinha, aguacerices, coisicas,
perfilzinho, narizinho
d) perfilzinho, farinha, diligentil, pernocas,
coisicas, carinha.
9) O autor cria dois neologismos por
onomatopéia para nomear o barulho da chuva. Quais são eles?
a) xixixi e bruaar;
b) xixixi e til-til;
c) bruaar e til-til;
d) disse-se-dizia e xixixi
10) O verbo "andorinhar" foi criado por:
a) derivação sufixal: andorinha +ar
b) derivação prefixal: an+dorinhar
c) derivação sufixal e prefixal: an+dor+inha+ar
d) paradigma flexional
11) “Não deixe faltar energia em sua casa.”
(Leia bons fluidos)
A relação de sentido estabelecida para o termo
“energia” na propaganda é denominada de:
a) Homonímia: porque se refere a um termo igual
com significados diferentes.
b) Sinonímia: porque faz referência a um termo
diferente com significados iguais.
c) Antonímia: uma vez que emprega um termo
diferente com significados opostos.
d) Polissemia: pois trata de um termo com a
propriedade de assumir vários significados no contexto.
[1]
Baseado em: ILARI, Rodolfo.
Introdução ao Estudo do Léxico.
Brincando com as Palavras.
São Paulo: Contexto, 2005.
